A China encontrou pela primeira vez amostras do novo coronavírus ativo em embalagens de bacalhau congelado, de acordo com o Centro Nacional de Prevenção e Controlo de Doenças, citado pelo ‘El Pais. Esta descoberta levanta assim a possibilidade, embora remota, de existir contágio ao tocar nesse tipo de superfícies.
O vírus ativo foi detetado num carregamento de bacalhau congelado, cuja origem não foi especificada, no seguimento de investigações para determinar onde começou o surto da Covid-19 identificado na semana passada, na cidade chinesa de Qingdao.
O CDC rastreou a origem do pequeno surto que afetou dois estivadores do porto da cidade que tocaram naquela carga e que foram transferidos, ainda sem sintomas, para um hospital municipal. O hospital não desinfetou adequadamente o seu equipamento e o vírus foi transmitido a outros pacientes e equipas médicas antes de o contágio ser detetado.
«É a primeira vez que o novo coronavírus ativo fica isolado numa embalagem externa de alimentos congelados, estando confirmado que o contacto com a embalagem contaminada pode causar contágio», destacou o CDC, em comunicado.
O facto de o vírus poder sobreviver durante muito tempo numa superfície congelada, significa que pode ser transmitido em viagens muito longas, acrescenta o organismo. No entanto, o risco de contágio entre os consumidores desses produtos é considerado «muito baixo».
Contudo, como medida de precaução, as autoridades de saúde chinesas recomendam que os trabalhadores que lidam com esses alimentos evitem o contacto direto com a pele e não toquem no rosto antes de tirar a roupa de trabalho e lavar as mãos. Para além disso, devem realizar testes de diagnóstico «regularmente».
O público em geral, por outro lado, «pode consumir produtos normalmente», já que não existe o risco de contrair o vírus através do aparelho digestivo. Os especialistas aconselham a armazenar alimentos frescos congelados separadamente e manter as superfícies limpas.
Em declarações à agência Reuters, o epidemiologista Jin Dong Yan, da Universidade de Hong Kong, apontou que a investigação do CDC chinês não descarta que, em vez de os dois estivadores se infetarem ao tocar no carregamento, possam ter contraído a doença noutro local e passar o vírus para a embalagem, na altura em que mexeram nela.














