O epidemiologista estatal sueco, Anders Tegnell, deixou o alerta a países como o Reino Unido para que não voltem a impor medidas de bloqueio para responder ao ressurgimento de infecções por coronavírus, argumentando que tal seria «realmente prejudicial para a confiança» e «desastroso em muitos aspectos», avança o ‘The Guardian’.
Enquanto que outros países suspenderam as restrições a partir de Abril, a Suécia deixou quase todas as medidas em vigor, apesar de registar uma queda rápida no número de infecções, de mais de 150 casos por 100 mil habitantes por quinzena no início de Julho, para cerca de 30 na sexta-feira.
«Tentámos implementar medidas que sejam sustentáveis ao longo do tempo, em vez de saltar de um nível extremamente alto de medidas para nenhum nível», disse Tegnell, citado pelo ‘The Guardian. «Levantar e voltar a implementar restrições é realmente prejudicial para a confiança do país e terá muito mais efeitos negativos. Abrir e fechar escolas, por exemplo, seria desastroso», acrescenta o especialista.
Tegnell também criticou as recentes decisões de países como o Reino Unido e a Noruega de reimpor as restrições de quarentena ou voltar a instaurar a recomendação de não viajar depois de registar aumentos no número de infecções.
As críticas à abordagem de Tegnell começaram internacionalmente, aumentando em Junho, depois de o país ter registado por um curto período a maior taxa de mortalidade per capita do mundo, numa média de sete dias. Agora com 5.763 mortes, quase cinco vezes mais pessoas morreram de coronavírus na Suécia do que na Dinamarca, Noruega e Finlândia juntas.
Tegnell considera que o ponto de inflexão para a pandemia na Suécia ocorreu no início de Julho.
Com a primeira grande onda de infecções a passar na maioria dos países da Europa, o especialista estima que um novo padrão se desenvolva na Suécia. «O mais provável é que continuemos a ter uma propagação na sociedade, mas num nível baixo, espero que ainda mais baixo do que o actual. Há o risco de surtos, mas não acredito que vamos ter grandes surtos», acrescentou.
Tegnell referiu que os últimos seis meses mostraram que, ao contrário da gripe, a Covid-19 exibe uma propagação «desigual, aleatória, semelhante a um cluster», o que significa que «encontrar esses clusters no início e assumi-los muito rapidamente» será a chave para o sucesso no futuro.




