A análise de José Borralho, CIO e Fundador da Escolha do Consumidor
O Barómetro dá-nos uma imagem clara do nosso tecido empresarial: há motivação para crescer, investir e inovar. A maioria das empresas afirma ter tido um desempenho melhor face ao ano anterior, sinal de vitalidade económica e capacidade de adaptação num contexto ainda desafiante. Mas esta confiança interna contrasta com o olhar desconfiado sobre o país. Os líderes empresariais continuam a ver a instabilidade financeira e política como os maiores riscos para 2026, o que permite concluir que o que trava o crescimento não é falta de visão das empresas, é a incerteza do contexto onde operam. Exemplo disso é a leitura moderada do Orçamento do Estado: globalmente positivo, mas aquém do que seria necessário para acelerar competitividade e atrair investimento. A leitura é clara: as empresas estão prontas para avançar; o país tem de deixar de ser espectador e tornar-se facilitador. Por outro lado, há um dado particularmente encorajador: a aposta crescente na IA. Mais de metade planeia reforçar o investimento nesta área, transformando a tecnologia não apenas numa ferramenta de eficiência, mas num motor de diferenciação estratégica. Já não estamos na fase de experimentar, entrámos definitivamente na fase de executar com visão. As empresas querem futuro. Estão a fazer o seu papel, estão a investir, estão a transformar-se. O que pedem é que o país alinhe a sua ambição com a delas. Se houver estabilidade, reformas estruturais e políticas amigas da competitividade, 2026 poderá não ser um ano apenas de crescimento moderado, mas sim de avanço decidido.
Testemunho publicado na edição de Dezembro (nº. 237) da Executive Digest, no âmbito da XLV edição do seu Barómetro.






