Xamãs, Nostradamus e… Trump: 2026 mal começou e presidente americano está já a cumprir as profecias

Nos últimos meses de 2025, multiplicaram-se as previsões para o novo ano. Algumas vieram do universo da inteligência artificial, outras de astrólogos mediáticos, e outras ainda de figuras quase lendárias

Francisco Laranjeira
Janeiro 10, 2026
15:00

O ano mal começou e 2026 já vem carregado de presságios. Entre previsões apocalípticas, contactos com extraterrestres, tempestades solares e convulsões políticas, não faltam vozes — antigas e modernas — a garantir que o pior, ou pelo menos o inesperado, está para vir.

Nos últimos meses de 2025, multiplicaram-se as previsões para o novo ano. Algumas vieram do universo da inteligência artificial, outras de astrólogos mediáticos, e outras ainda de figuras quase lendárias, como Baba Vanga, a vidente búlgara a quem são atribuídas previsões de acontecimentos globais décadas depois da sua morte. Segundo essas leituras, 2026 seria o ano do primeiro contacto com vida extraterrestre — coincidência ou não, pouco depois um objeto espacial misterioso, identificado como 3I/ATLAS, passou relativamente perto da Terra.

Também o chamado “Nostradamus vivo”, Athos Salomé, entrou em cena. Conhecido por previsões que alguns consideram certeiras, alertou para um cocktail pouco tranquilizador: tensões crescentes no Médio Oriente, escassez de semicondutores no Japão e uma intensa atividade solar, com ejeções de massa coronal capazes de afetar comunicações e infraestruturas já nos primeiros meses do ano.

Quando a política parece dar razão aos místicos

Este caldo de ansiedade ganhou nova força com os acontecimentos recentes envolvendo a Venezuela. A operação ordenada por Donald Trump que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro surpreendeu a comunidade internacional — mas não todos.

Dias antes, no Peru, um grupo de xamãs reunira-se junto ao mar, em Lima, para o seu ritual anual de previsões globais. Entre cerimónias com plantas tradicionais e leituras simbólicas, anunciaram que Maduro cairia do poder em 2026, por ação direta dos Estados Unidos. A previsão não foi totalmente exata nos detalhes, mas o essencial acabou por se concretizar de forma inesperadamente rápida.

A coincidência reacendeu o fascínio por profecias antigas, em particular as de Nostradamus. Escritas no século XVI em versos enigmáticos, as suas quadras voltaram a circular nas redes sociais, com interpretações que apontam para uma grande guerra em 2026. Frases vagas sobre “sete meses de grande conflito” e cidades europeias tornaram-se, mais uma vez, matéria-prima para leituras adaptadas ao presente, agora ligadas à guerra na Ucrânia ou às tensões globais agravadas pela crise venezuelana.

Profecias, redes sociais e o medo como espetáculo

Nada disto é novo. Sempre que o mundo entra num ciclo de instabilidade, cresce a tentação de procurar sentido em previsões antigas ou rituais alternativos. As redes sociais amplificam esse fenómeno, transformando fragmentos históricos, previsões falhadas e coincidências em narrativas quase inevitáveis.

Mesmo os xamãs peruanos, que também previram doenças graves para Trump e desastres naturais ao longo do ano, reconhecem que nem todas as suas leituras se concretizam. No passado, erraram datas, anteciparam fins de guerras que não aconteceram e anunciaram catástrofes que nunca se materializaram. Ainda assim, alguns acertos bastam para alimentar o mito.

2026 está apenas a começar. Entre política internacional, conflitos armados, avanços tecnológicos e crises climáticas, há matéria suficiente para preocupações reais — sem necessidade de recorrer a profecias de quinhentos anos. Mas, como mostra este início de ano, quando a realidade parece saída de um guião improvável, não faltará quem procure explicações no oculto.

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