Von der Leyen prepara criação de nova célula europeia de inteligência sob o seu controlo direto

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está a trabalhar na criação de uma nova célula europeia de inteligência que funcionará sob o seu comando direto, confirmou esta terça-feira o Executivo comunitário.

Pedro Gonçalves
Novembro 11, 2025
12:48

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está a trabalhar na criação de uma nova célula europeia de inteligência que funcionará sob o seu comando direto, confirmou esta terça-feira o Executivo comunitário. A iniciativa surge num contexto internacional marcado, segundo Bruxelas, por um “complicado panorama geopolítico e geoeconómico”, agravado pela guerra híbrida lançada pela Rússia após a invasão da Ucrânia, pela pressão crescente da China e pelo anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma retirada progressiva das tropas norte-americanas estacionadas na Europa.

Apesar da intenção de reforçar as capacidades estratégicas da União Europeia, o plano de Von der Leyen está já a suscitar reservas dentro do próprio aparelho europeu. Fontes diplomáticas citadas pelo Financial Times, o primeiro meio a avançar a notícia, alertam para o risco de sobreposição de funções com o atual Centro de Análise de Inteligência da UE, a unidade civil de informação que opera no seio do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE).

Em resposta, Bruxelas garante que o objetivo não é criar uma estrutura paralela, mas sim complementar o trabalho existente. “Estamos num complicado panorama geopolítico e geoeconómico, e a Comissão, por isso, está a examinar como reforçar as suas capacidades de segurança e inteligência”, afirmou o porta-voz da Comissão, Balazs Ujvari.

Segundo o mesmo responsável, “como parte deste plano, está a ser considerada a criação de uma célula específica dentro da Secretaria-Geral da Comissão”. Ujvari sublinha ainda que “será uma iniciativa complementar, que apoiará o trabalho da Direção de Segurança da Comissão e cooperará estreitamente com os serviços correspondentes do Serviço Europeu de Ação Externa”.

A Comissão Europeia esclarece que o projeto se encontra ainda numa fase inicial de desenvolvimento. A porta-voz de Von der Leyen, Paula Pinho, adiantou que “a ideia é que seja uma unidade pequena e que o seu propósito seja realmente complementar o trabalho das estruturas existentes, especialmente dentro do Serviço Exterior”. A mesma responsável estimou que a equipa venha a contar apenas com “dezenas de pessoas”.

Esta nova célula de inteligência surge na sequência da decisão de Von der Leyen de criar um “colégio de segurança”, uma estrutura destinada a fornecer aos comissários informações especializadas sobre temas de segurança e inteligência.

Até ao momento, Bruxelas não esclareceu se o projeto foi formalmente discutido com os governos nacionais. Tradicionalmente, as capitais europeias têm resistido a qualquer iniciativa que possa transferir competências em matéria de espionagem e serviços de inteligência para o nível comunitário, áreas que continuam a ser consideradas de soberania nacional.

A crescente desconfiança entre Estados-membros, agravada pela presença de governos abertamente prorrussos, como o de Viktor Orbán na Hungria, tem contribuído para aumentar as reservas quanto à partilha de informação sensível no seio da União. Nesse contexto, o desafio de Von der Leyen será não apenas criar uma nova estrutura de inteligência, mas também conquistar a confiança política necessária para que esta possa funcionar de forma efetiva e integrada.

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