A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, decidiu não suspender por agora o comissário europeu Olivér Várhelyi, apesar das alegações de que agentes de inteligência húngaros terão tentado espiar as instituições europeias em Bruxelas.
Segundo declarou a porta-voz da Comissão, Paula Pinho, em resposta a perguntas do portal Politico, “até ao momento, estas são apenas alegações”. Pinho confirmou que Von der Leyen irá abordar diretamente o assunto com Várhelyi, mas frisou que tal conversa “ainda não ocorreu” e deverá acontecer “na primeira oportunidade”.
Comissão Europeia investiga alegações de espionagem em Bruxelas
A Comissão anunciou na quinta-feira que está a examinar as denúncias que implicam o governo do primeiro-ministro Viktor Orbán numa operação de espionagem destinada a recolher informações sobre as instituições da União Europeia e a recrutar um funcionário europeu.
As suspeitas resultam de uma investigação conjunta conduzida pelo semanário alemão Der Spiegel, pelo diário belga De Tijd e pelo meio húngaro Direkt36. Segundo os relatórios, agentes de inteligência húngaros disfarçados de diplomatas terão tentado infiltrar-se em instituições europeias durante o período em que Olivér Várhelyi era embaixador da Hungria junto da UE, antes de ser nomeado comissário europeu.
Bruxelas promete proteger informação e redes internas
A porta-voz Paula Pinho afirmou que a Comissão encara o caso “com a máxima seriedade”, sublinhando que as alegações têm implicações diretas para a segurança e integridade das operações da União Europeia.
“Estamos determinados a proteger o nosso pessoal, a nossa informação e as nossas redes contra qualquer tentativa de recolha ilegal de dados”, afirmou Pinho, em declarações citadas pelo Politico.
Von der Leyen ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso, mas fontes oficiais confirmaram que irá reunir com Várhelyi para pedir esclarecimentos formais sobre as alegações.
Entretanto, a Comissão Europeia decidiu criar um grupo de trabalho interno para analisar em detalhe o caso e propor eventuais medidas adicionais. Segundo outro porta-voz da Comissão, Balazs Ujvari, a decisão de formar este grupo “já foi tomada”, mas a composição e o mandato ainda estão a ser definidos.
O caso surge num momento de forte tensão entre Bruxelas e Budapeste, devido a repetidos confrontos sobre o Estado de direito, a independência judicial e o uso de fundos europeus.
Embora a Comissão tenha reafirmado que a investigação está em curso, Von der Leyen optou por não suspender Várhelyi, mantendo a presunção de inocência enquanto não houver provas conclusivas.














