Dublin vive dias de forte tensão social após uma série de protestos anti-imigração que degeneraram em violentos confrontos com a polícia, resultando em mais de trinta detenções. As manifestações, que começaram de forma pacífica no início da semana, intensificaram-se depois de um homem de 26 anos ter sido acusado de violar uma menina de 10 anos nas imediações de um hotel que acolhe requerentes de asilo.
A situação agravou-se rapidamente na capital irlandesa, com cenas de violência urbana que incluíram o incêndio de um carro da polícia, a montagem de barricadas e a destruição de mobiliário urbano. Apesar de as autoridades não terem confirmado oficialmente a nacionalidade do suspeito, diversos relatos indicam que o alegado agressor poderá ser estrangeiro, o que alimentou um forte sentimento anti-imigração entre os manifestantes.
A partir de terça-feira à noite, a tensão subiu de tom e, na noite de ontem, Dublin viveu o que muitos descrevem como os piores distúrbios dos últimos anos. Vários grupos de encapuzados lançaram pedras, paus e até fogo-de-artifício contra as forças de segurança, enquanto os agentes tentavam dispersar a multidão. Dois polícias ficaram feridos — um deles atingido na cabeça por uma garrafa, outro no ombro por um objeto contundente —, o que obrigou à mobilização de unidades de intervenção equipadas com escudos e proteção corporal adicional.
Anti-immigrant protesters in Dublin set a police van alight outside a hotel housing migrants, as hundreds rallied over allegations that a 10-year-old girl was sexually assaulted on the grounds. Police have not confirmed the suspect's nationality or immigration status. pic.twitter.com/PQDx6pOVFT
— DW News (@dwnews) October 22, 2025
O ministro da Justiça, do Interior e da Migração, Jim O’Callaghan, condenou o que classificou como “violência brutal” e garantiu que o Governo “não tolerará ataques à polícia nem o incitamento ao ódio racial”. O governante afirmou ainda que “haverá mais detenções nas próximas horas” e descreveu como “extremamente grave” a alegada agressão sexual à menor, que se encontrava sob tutela do Estado. Desde segunda-feira, as forças policiais irlandesas já detiveram trinta pessoas, incluindo vinte e três apenas nas últimas horas.
As imagens partilhadas nas redes sociais mostram uma cidade em alvoroço, com carros incendiados, escombros nas ruas e dezenas de manifestantes a enfrentarem-se com a polícia. Entre as 19h00 e as 20h00 de quarta-feira, registaram-se os confrontos mais intensos junto ao hotel que aloja migrantes, quando centenas de pessoas voltaram a concentrar-se para protestar contra o acolhimento de requerentes de asilo no país. As autoridades confirmaram também atos de vandalismo em várias zonas de Dublin, com destruição de montras e ataques a veículos particulares.
O caso reacende o debate sobre imigração e segurança na Irlanda e surge num contexto de crescente hostilidade contra centros de acolhimento de migrantes. Tanto na Irlanda como no Reino Unido, têm-se multiplicado manifestações contra políticas de asilo, algumas delas marcadas por violência. Há poucas semanas, Dublin já tinha sido palco de distúrbios semelhantes, também motivados por rumores de crimes envolvendo estrangeiros.
Enquanto as investigações sobre a alegada violação prosseguem, as autoridades pedem calma à população e apelam ao respeito pelo Estado de direito. “Não podemos permitir que um crime hediondo seja usado como pretexto para espalhar ódio e dividir comunidades”, afirmou o ministro O’Callaghan, sublinhando que a prioridade do Governo é garantir a segurança de todos os cidadãos, independentemente da sua origem.














