Henrique Sotero, um dos mais conhecidos predadores sexuais em Portugal, já teve acesso a saídas precárias, apesar de ter sido condenado pela autoria de 71 crimes, incluindo 14 violações, entre 2008 e 2010. Conhecido como o violador de Telheiras, devido às suas ações naquela zona de Lisboa, Sotero beneficiou recentemente de cinco dias de liberdade, atribuídos por um juiz do Tribunal de Execução de Penas, no início de janeiro. Atualmente com 45 anos, cumpre pena na cadeia da Carregueira, em Sintra, onde tem mantido um comportamento exemplar e já completou uma licenciatura. Em breve, poderá pedir a liberdade condicional, segundo noticia o Correio da Manhã.
Inicialmente condenado à pena máxima de 25 anos de prisão, Sotero recorreu até ao Supremo Tribunal de Justiça, que fixou a pena em 22 anos. Desde então, tem sido descrito como um recluso disciplinado, raramente saindo da cela. Recebe visitas regulares da namorada, da sogra e do irmão, que continuam a apoiá-lo, tendo mesmo testemunhado a seu favor durante o julgamento. A sua compa-nheira foi surpreendida com a detenção, mas manteve-se ao seu lado ao longo dos anos, considerando a sua mãe como uma figura materna para o agressor.
Entre 2008 e 2010, Henrique Sotero atacou vítimas jovens, com menos de 20 anos, abordando-as ao final da tarde, armado com uma faca. Os crimes incluíram violação, rapto, coação sexual, sequestro, roubo, ofensas corporais e ameaças. Em alguns casos, forçou as vítimas a praticar sexo oral e roubou os seus pertences. Dois jovens, namorados de algumas das vítimas, foram ainda obrigados a assistir aos crimes.
Durante o julgamento, Sotero assumiu a responsabilidade pelos crimes e pediu desculpa às vítimas. A sua defesa argumentou que sofria de “psicopatia mental” e tentou, sem sucesso, que fosse considerado inimputável. Algumas das vítimas ainda hoje necessitam de apoio psicológico devido ao trauma, e uma delas chegou mesmo a deixar Portugal poucos anos após os acontecimentos.
Além da pena de prisão, o tribunal condenou Henrique Sotero a pagar quase 200 mil euros de indemnizações a seis das vítimas que se constituíram como assistentes no processo. No entanto, Sotero alegou não ter recursos financeiros e nunca pagou qualquer montante. O Estado, através da Comissão de Proteção às Vítimas de Crimes, assumiu o pagamento das indemnizações a quatro das jovens, atribuindo valores entre 18 e 27 mil euros a cada uma. Duas das vítimas, no entanto, não receberam qualquer compensação.














