Vectis: EUA anunciam novo drone de combate projetado para rivalizar com a China. Que novidades traz?

Segundo comunicado da empresa, o Vectis foi desenvolvido para “integrar-se perfeitamente com aeronaves de 5.ª geração e futuras gerações, reforçando a visão da Family of Systems para a próxima era da supremacia aérea”.

Pedro Gonçalves
Setembro 22, 2025
15:29

A Lockheed Martin revelou este domingo os planos para o Vectis, um drone de combate furtivo concebido para operar de forma autónoma ou em coordenação com caças tripulados como o F-35. O projeto está a cargo da divisão Advanced Development Programs, conhecida como Skunk Works, e foi apresentado como um passo essencial na estratégia norte-americana para garantir a superioridade aérea nas próximas décadas.

Segundo comunicado da empresa, o Vectis foi desenvolvido para “integrar-se perfeitamente com aeronaves de 5.ª geração e futuras gerações, reforçando a visão da Family of Systems para a próxima era da supremacia aérea”.

O anúncio surge num momento em que a Força Aérea dos Estados Unidos enfrenta um dos períodos mais críticos da sua história. Em 2024, a frota de caças atingiu o menor número de sempre, contando com menos de metade das aeronaves disponíveis em 1987. Além disso, os aparelhos em operação estão a envelhecer rapidamente, sendo retirados do serviço a um ritmo superior ao da sua substituição.

Os chamados colaborative combat aircraft (CCAs), apelidados de “leais alas”, surgem como alternativa de menor custo e maior flexibilidade. Estes drones, equipados com software de inteligência artificial, funcionam como multiplicadores de força, reforçando a capacidade ofensiva dos pilotos e permitindo saturar as defesas aéreas inimigas em cenários de conflito.

O Vectis foi projetado para desempenhar uma ampla gama de missões: guerra eletrónica, ataques de precisão, operações ofensivas e defensivas de controlo aéreo, bem como recolha de informações estratégicas para apoiar decisões de comando.

A Lockheed Martin sublinha ainda que o drone terá alcance alargado, tornando-o adequado para operações em teatros cruciais como o Indo-Pacífico, a Europa e o Comando Central norte-americano, que cobre o Médio Oriente, o Norte de África e a Ásia Central.

OJ Sanchez, vice-presidente e diretor-geral da Skunk Works, afirmou em comunicado: “O Vectis é o culminar da nossa experiência em integração de sistemas complexos, desenvolvimento de caças avançados e autonomia. Não estamos apenas a construir uma nova plataforma – estamos a criar um novo paradigma para o poder aéreo, baseado num drone altamente capaz, personalizável, acessível e ágil.”

O anúncio do Vectis coincide com a intensificação da corrida tecnológica entre Washington e Pequim. Em maio, a Força Aérea norte-americana confirmou que tinham começado os testes em solo de dois CCAs desenvolvidos pelas empresas Anduril e General Atomics, os YF-44A e YFQ-42A.

A China, considerada rival militar próximo dos Estados Unidos na região do Indo-Pacífico, também avança com programas semelhantes. No início de setembro, durante o desfile do “Dia da Vitória” em Pequim, a televisão estatal CCTV exibiu imagens de vários drones de combate, sem revelar os modelos em causa.

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea norte-americana, general David Allvin, destacou em maio a relevância destes sistemas: “O CCA consiste em garantir uma vantagem decisiva em ambientes altamente contestados. O programa está a acelerar a entrada em serviço através de estratégias inovadoras de design e aquisição – e ambos os fornecedores estão a cumprir ou a superar marcos fundamentais. Estes aparelhos ajudar-nos-ão a transformar prontidão em domínio operacional.”

De acordo com a Lockheed Martin, o Vectis deverá estar operacional e em voo até 2028, reforçando a aposta norte-americana em drones de combate como peças centrais na guerra aérea do futuro.

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