VASP ouvida hoje no parlamento sobre o futuro da distribuição de jornais e revistas no interior

A VASP – Distribuição e Logística é ouvida hoje no parlamento, numa audição dedicada à situação da distribuição de imprensa em Portugal, em particular à eventual necessidade de fazer ajustamentos em oito distritos do interior do país.

Executive Digest com Lusa
Janeiro 20, 2026
7:15

A VASP – Distribuição e Logística é ouvida hoje no parlamento, numa audição dedicada à situação da distribuição de imprensa em Portugal, em particular à eventual necessidade de fazer ajustamentos em oito distritos do interior do país. A audição está agendada para as 15h00, na 12.ª Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, e contará com a presença do Conselho de Administração da empresa.

A audição decorre na sequência de um requerimento apresentado pelo grupo parlamentar do Chega e foi confirmada à Lusa pelo administrador da VASP, Rui Moura, que adiantou: “Confirmo o convite para a administração da VASP estar na 12.ª Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto na terça-feira”.

Em causa está a possibilidade de suspensão ou alteração da distribuição diária de jornais em Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança. A VASP informou, a 4 de dezembro, que estava a avaliar a necessidade de proceder a ajustamentos nestes distritos, devido a constrangimentos financeiros que colocam em causa o atual modelo de distribuição.

Na altura, a empresa explicou que atravessa “uma situação financeira particularmente exigente”, provocada pela “continuada quebra das vendas de imprensa” e pelo “aumento significativo dos custos operacionais”, fatores que exercem “forte pressão sobre a sustentabilidade da atual cobertura de distribuição de imprensa diária”.

Apesar das dificuldades, a VASP reafirmou então, “de forma inequívoca”, o seu compromisso com o acesso universal à informação, considerando-o “um pilar essencial da coesão territorial, da igualdade de oportunidades e do exercício pleno da cidadania democrática”.

Na sequência desse anúncio, a empresa reuniu-se com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). Contactada posteriormente, uma fonte oficial da ANMP indicou estar a aguardar para conhecer as medidas que o Governo tem em preparação para o setor dos media antes de fazer uma avaliação definitiva sobre a situação da distribuição de imprensa.

Rui Moura sublinhou que a VASP “tem feito um grande esforço para manter lojas tradicionais — quiosques, papelarias e tabacarias — que vendem jornais”, apostando na diversificação de produtos, na modernização dos espaços e em iniciativas como o primeiro encontro nacional de pontos de venda, realizado em 2025.

Ainda assim, o administrador reconheceu que “os números de pontos de venda têm vindo a diminuir desde 2012”, com “uma quebra mais significativa durante a pandemia”. Atualmente, Portugal conta com cerca de 66 pontos de venda por 100 mil habitantes, um valor que considera “ainda muito significativo” e “um indicador interessante em termos europeus”, embora admita que possam estar “mal distribuídos do ponto de vista da localização”.

A VASP alerta que o atual modelo económico não é sustentável, sublinhando que a remuneração paga pelos editores não cobre os custos logísticos da distribuição. “O decréscimo da remuneração em banca do papel, devido à quebra de circulação paga, tem sido acompanhado por um aumento significativo dos custos de distribuição”, explicou Rui Moura.

Segundo a empresa, a rede de distribuição noturna — que garante que os jornais chegam aos pontos de venda todas as manhãs, ao longo de todo o ano, incluindo fins de semana e feriados — “não tem paralelo em Portugal” e criar uma estrutura alternativa semelhante implicaria um aumento significativo dos custos, nas atuais condições de mercado.

Questionado sobre possíveis soluções, o administrador defendeu que os incentivos públicos à distribuição, à semelhança do que acontece noutros países europeus, podem assumir um papel central. Esses apoios, explicou, podem ser “centrais, regionais ou locais” e tanto diretos à distribuição como indiretos, através dos pontos de venda ou dos editores.

Rui Moura garantiu ainda que, caso seja lançado um concurso público de apoio direto à distribuição, “a VASP vai a concurso”, lembrando que a empresa é “provavelmente o único serviço público, reconhecido como tal, que não é remunerado pelo Estado, em Portugal”.

A empresa espera que surja “uma solução concreta” a curto prazo e sublinha que a sustentabilidade da distribuição passa também por alargar a base de leitores e recuperar a aquisição regular de imprensa por entidades públicas e privadas que deixaram de comprar jornais durante a pandemia e não retomaram esse hábito.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.