Urgências fechadas: IGAS começa hoje auditoria para analisar mapas de férias dos médicos na semana dos feriados

Face ao agravamento da situação nas urgências de obstetrícia em diversos hospitais do país, especialmente na margem sul do Tejo, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) anunciou a abertura de uma auditoria para apurar responsabilidades e verificar o cumprimento das normas de organização e planeamento dos serviços.

Executive Digest
Abril 28, 2025
6:30

Face ao agravamento da situação nas urgências de obstetrícia em diversos hospitais do país, especialmente na margem sul do Tejo, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) anunciou a abertura de uma auditoria para apurar responsabilidades e verificar o cumprimento das normas de organização e planeamento dos serviços. A ação, que arranca hoje, terá como alvo inicial o Hospital Garcia de Orta (Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal) e o Hospital do Barreiro (Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho), segundo revela a CNN Portugal.

A decisão surge numa altura em que se acumulam os relatos de encerramentos temporários dos serviços de ginecologia e obstetrícia, situação que tem deixado grávidas e profissionais de saúde em estado de alerta. Em declarações à CNN Portugal, o inspetor-geral da IGAS, Carlos Caeiro Carapeto, explicou que a auditoria tem como principal objetivo avaliar “a organização do trabalho no serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia”, com especial atenção à forma como foram geridos os mapas de férias dos profissionais de saúde durante semanas com feriados contíguos a fins de semana — como acontece com os dias 25 de Abril e 1.º de Maio.

A IGAS quer averiguar se os planos de férias foram aprovados de forma responsável, tendo em conta os constrangimentos previsíveis, e se foram implementadas medidas de contingência para minimizar os impactos da redução de recursos humanos. Carlos Caeiro Carapeto sublinhou que a auditoria pretende também “avaliar a articulação entre hospitais e outras entidades de saúde” e perceber se foram definidos procedimentos eficazes para lidar com situações críticas.

O caso mais grave até agora registado deu-se no Hospital do Barreiro, onde, segundo avançou a CNN Portugal, uma grávida foi obrigada a dar à luz no corredor do hospital devido ao encerramento temporário da urgência ao exterior. A IGAS confirmou que esta ocorrência será analisada no âmbito da auditoria, que incluirá também uma componente de inspeção a casos concretos e não apenas a procedimentos administrativos.

O inspetor-geral da Saúde anunciou ainda que se deslocará pessoalmente aos hospitais visados para dar início aos trabalhos de auditoria e reunir com os médicos, explicando-lhes os objetivos do processo. “A ideia é explicar aos médicos o objetivo da auditoria e ajudar os hospitais a arranjar soluções para melhorarem o estado das coisas”, referiu Carapeto, frisando o caráter construtivo da intervenção.

O período a ser analisado compreende os dias entre 13 de abril e 4 de maio, precisamente para incluir as semanas marcadas pelos feriados nacionais. A escolha deste intervalo visa compreender se o planeamento das escalas teve em consideração as dificuldades previsíveis nesta época, em que se antevê um aumento da procura conjugado com a redução de pessoal em função das férias.

Não é a primeira vez que a IGAS avalia o impacto da gestão de férias na capacidade de resposta hospitalar. Em 2022, a entidade levou a cabo uma auditoria a cinco hospitais e detetou várias falhas, nomeadamente o incumprimento da obrigação legal de aprovar os mapas de férias dentro do prazo previsto. Esse incumprimento, advertiu então a IGAS, pode levar a situações em que seja necessário invocar o artigo 243.º do Código do Trabalho, que permite ao empregador alterar ou interromper férias já marcadas por “exigências imperiosas do funcionamento da empresa”, obrigando à compensação dos trabalhadores pelos prejuízos causados.

Com o novo inquérito em curso, a IGAS procura agora obter uma radiografia atualizada da situação nas unidades hospitalares mais afetadas, identificar fragilidades nos sistemas de planeamento e assegurar que os serviços essenciais de saúde — como os que assistem grávidas e recém-nascidos — são prestados com a segurança e dignidade que a população exige.

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