A União Europeia (UE) poderá aprovar já esta quinta-feira, o seu 19.º pacote de sanções contra a Rússia, numa decisão aguardada com atenção por todos os Estados-membros. A expectativa foi confirmada pela alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, numa declaração feita antes da reunião do Conselho de Assuntos Estrangeiros, que decorreu em Luxemburgo na passada segunda-feira.
Segundo Kallas, existe confiança de que as medidas restritivas serão formalmente adotadas durante o encontro desta quinta-feira. “Estamos a esperar, esta semana, também, adotar um 19.º pacote de sanções”, afirmou, acrescentando que “infelizmente, não hoje” – numa referência à reunião de segunda-feira, quando ainda não foi possível chegar a acordo.
A chefe da diplomacia europeia sublinhou que a UE vê com atenção “os esforços do Presidente Trump para trazer a paz à Ucrânia”. No entanto, acrescentou que, na avaliação do bloco, a Rússia não demonstra ainda uma real vontade de negociar a paz. “Claro que todos estes esforços são bem-vindos, mas não vemos a Rússia realmente querer paz. A Rússia só compreende força e só negocia quando é realmente pressionada a negociar. Neste momento, ainda não vemos isso acontecer”, concluiu Kallas.
Recorde-se que, na passada sexta-feira, a Áustria anunciou que apoiaria a adoção do novo pacote de sanções, eliminando um dos principais obstáculos que atrasavam a votação. Inicialmente, a aprovação do 19.º pacote tinha sido dificultada porque a Áustria exigia que a UE levantasse sanções sobre parte dos ativos russos para compensar o Raiffeisen Bank International por coimas aplicadas pela Rússia. Esta exigência foi rejeitada por outros governos europeus, mantendo o impasse.
Atualmente, o único bloqueio remanescente é a posição da Eslováquia, que insiste que o tema seja discutido na cimeira de líderes da UE marcada para esta quinta-feira, 23 de outubro. A decisão final sobre o pacote de sanções será, portanto, acompanhada de perto pelos restantes Estados-membros, uma vez que se trata de um dos maiores instrumentos de pressão da UE contra Moscovo desde o início da guerra na Ucrânia.
Este novo conjunto de medidas restritivas surge num momento de escalada de tesão entre a UE e a Rússia, com o o objetivo de aumentar a pressão económica e política sobre Moscovo. Embora os detalhes específicos do pacote não tenham sido divulgados, a expectativa é de que inclua restrições financeiras, comerciais e individuais a sectores estratégicos e responsáveis pelo conflito.
A aprovação do 19.º pacote ocorre num contexto em que a UE procura demonstrar unidade e firmeza perante a Rússia, ao mesmo tempo que apoia os esforços internacionais de mediação. Segundo Kallas, a adoção destas sanções não é apenas um ato político, mas uma mensagem clara de que a Rússia só poderá negociar em condições de equilíbrio de forças.














