“Uma gestão de risco eficiente depende 100% do investidor”, garante o co-fundador da Air Trading

Investir na bolsa de valores é uma das formas mais populares de procurar retorno financeiro. Em entrevista à Risco, Bernardo Barcelos, co-fundador da Air Trading, explica que, no entanto, para ter sucesso nesse mercado, é crucial entender as estratégias adequadas.

André Manuel Mendes
Janeiro 4, 2024
10:16

Investir na bolsa de valores é uma das formas mais populares de procurar retorno financeiro. Em entrevista à Risco, Bernardo Barcelos, co-fundador da Air Trading, explica que, no entanto, para ter sucesso nesse mercado, é crucial entender as estratégias adequadas.

Ao iniciar a sua jornada no mundo dos investimentos em acções, é essencial desenvolver uma estratégia sólida, no entanto, mesmo com tudo bem planeado, é fácil cair em armadilhas que podem comprometer os resultados.
Alguns erros comuns dos investidores incluem a falta de diversificação, seguir dicas de fontes que não são profissionais e agir com base em emoções, como o medo ou a ganância. A disciplina e a paciência são fundamentais para evitar cair em erros e manter uma abordagem racional e fundamentada.
Investir na bolsa de valores requer conhecimento, estratégia e disciplina. Compreender as diferentes abordagens de investimento, evitar erros comuns e aproveitar as oportunidades proporcionadas por todas as ferramentas disponíveis são elementos essenciais para alcançar resultados positivos nesse mercado desafiador e repleto de oportunidades.
Em 2019, Bernardo Barcelos fundou a AIR Trading com o seu sócio Bruno Janeiro, uma empresa de formação em mercados financeiros, que fornece um serviço especializado e personalizado em português e espanhol para apoiar quem pretende tornar os mercados financeiros uma fonte de rendimento.
A sua carreira como trader profissional começou num fundo de investimento e opera a título pessoal desde 2010. Posteriormente, ingressou numa corretora em Espanha e desenvolveu um projecto de formação especializado no investimento em bolsa.
O co-fundador da Air Trading explicou o que é necessário para investir em bolsa, quais os principais desafios e oportunidades, qual o impacto das tensões geopolíticas nos mercados, entre outros temas.

O que é necessário para investir em bolsa
Conhecimento. E tudo o que precisa para ter conhecimento é compromisso. Compromisso não significa dedicar muito tempo aos investimentos em bolsa, eu inclusive defendo que só faz sentido entrar nos mercados financeiros se for para aumentar a qualidade de vida das pessoas. E isso implica existir um balanço saudável entre resultados e o tempo investido. 

Quais são os princípios importantes e estratégias de investimento que ensinam aos vossos clientes
Um dos princípios importantes que transmitimos à nossa comunidade é a humildade. Só com uma boa dose de humildade, conseguimos pensar e limitar o nosso nível de risco de forma eficiente e, desta forma, alcançar a consistência e a sustentabilidade. De nada adianta ter um mês com um grande ganho se no mês seguinte estamos a perder tudo.
Contamos com clientes, alguns há mais de oito anos, que, ano após ano, conseguem obter resultados consistentes. E como? Além de um elevado entendimento técnico, através do nosso serviço de mentoria, adquiriram um forte domínio da capacidade de gestão monetária e emocional. 

Qual é a abordagem da empresa em relação aos riscos e à gestão de riscos nos investimentos? Como ensinam os clientes a avaliar e a gerirem os riscos nas suas decisões de investimento?
Costumo dizer que uma boa oportunidade de investimento não é a certeza de que vamos estar certos, porque bolas de cristal não existem, mas sim a capacidade de assumirmos um risco reduzido face a um ganho potencial elevado.
E sabendo que o risco monetário de cada investimento é a relação entre a percentagem de perda e o valor de investimento, uma gestão de risco eficiente depende 100% do investidor. Por isso, antes de tomar uma decisão de investimento, é necessário definir uma estratégia e perceber qual o momento e o valor monetário a investir.

Quais são as estratégias de análise utilizadas para identificar oportunidades de investimento em acções?
Além do mercado de acções, trabalhamos outras classes de activos, como, por exemplo, índices, matérias-primas ou mercado cambial.
E em todos os mercados de actuação, utilizamos a Análise Técnica e a Análise Fundamental na definição de estratégias de investimentos. O objectivo das nossas estratégias passa pela capacidade de estar exposto a uma determinada rentabilidade, assumindo um risco substancialmente inferior. E, para isso acontecer, o investidor deve definir de forma criteriosa os níveis de preço a negociar, bem como o momento de entrada e saída do mercado.

Quais são os erros mais comuns que os investidores iniciantes cometem ao investir na bolsa e como evitá-los?
Um dos erros mais comuns dos investidores iniciantes é confundirem literacia financeira com conhecimento para investir nos mercados financeiros, acreditando na ilusão que saber o que é uma acção ou ETF é suficiente para ser bem-sucedido.
A partir do momento em que se começa a investir, as pessoas ficam sujeitas a cometer erros que são comuns ao ser humano. Esses erros devem-se a factores emocionais, os quais são exponenciados quando existe um excesso de alavancagem – um dos erros mais comuns.
E daqui surgem outros erros como consequência dessa falta de controlo emocional: é o caso de não ter a capacidade de limitar perdas e não deixar os ganhos correr; comprar quando está em máximos e vender em mínimos, entre outros.

Como é que os eventos económicos e políticos, caso do aumento das taxas de juro e a guerra na Ucrânia, podem impactar os mercados de acções e como é que os investidores devem lidar com essas situações?
Todos os eventos económicos e políticos acabam, mais tarde ou mais cedo, por afectar os mercados. Mas aquilo que realmente define as tendências de médio/longo prazo são as políticas monetárias adoptadas pelos Bancos Centrais, nomeadamente, a quantidade de dinheiro que é injectada (Quantitative Easing) ou retirada da economia (Quantitative Tightening).
Analisando a relação entre o balanço dos Bancos Centrais e o desempenho dos mercados, percebemos o que realmente afecta a lei da oferta e da procura que está na base das flutuações dos preços dos activos financeiros. 

Quais são as principais diferenças entre investir em acções individuais e investir em fundos de investimento ou ETF?
Como investidor, quando compra acções de uma empresa, torna-se sócio da empresa da qual adquiriu acções, com os poderes a ele atribuídos limitados pelo tipo de acção que comprou e também pela quantidade de acções que possui.
Já os ETF são carteiras de investimento criadas por bancos ou sociedades gestoras de fundos, que têm como objectivo replicar o comportamento de um determinado conjunto de activos que podem ser acções, obrigações, matérias-primas, entre outros.
Por exemplo, se quisermos investir apenas no sector de semicondutores norte-americano, existe um ETF cuja carteira de investimentos é composta por acções de empresas que fazem parte deste sector, sem ser necessário comprarmos cada uma das acções dessas empresas individualmente.

Com a ascensão da IA generativa, muitos investidores apostam em chatbots como o ChatGPT para obterem conselhos de investimento. Qual o risco
O melhor teste que se pode fazer é ir ao ChatGPT e perguntar-lhe se ele sabe o que vai acontecer à cotação de um determinado activo em bolsa. E a resposta estará relacionada com o facto de ele não poder prever o futuro. Tudo o que poderá conseguir é arranjar informação com base na análise feita por algum analista.
Contudo, a introdução da IA nos mercados financeiros é já uma realidade há várias décadas, através da introdução do “Program trading” e, mais tarde, com o aparecimento dos “High Frequency Traders”. Desde esse momento que temos vindo a observar mudanças nas dinâmicas do trading, sobretudo nas flutuações de curto prazo, como acontece sempre que ocorre um flash crash.

Qual o principal conselho aos iniciantes que querem investir em bolsa?
Para quem está a iniciar-se no mundo da bolsa, o meu conselho é procurar uma empresa de formação antes de uma corretora.
Ao longo do seu processo de formação devem ter em mente que a variável determinante para o seu sucesso, além da componente técnica, é uma correcta preparação emocional. Só quem investe entende o impacto que tem a parte emocional.
Costumo dizer que, para sermos bem-sucedidos em bolsa, dependemos em 30% dos nossos conhecimentos de análise, 30% da nossa gestão monetária e em 40% da nossa gestão emocional. Sendo que as gestões emocionais e monetárias estão interligadas, pois fazem parte da psicologia de trading. Manter-se equilibrado em termos emocionais, independentemente de ganhar, perder, ou deixar de ganhar, no momento de negociar, é a chave para o sucesso. 

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