UE/Mercosul: Casa do Azeite estima impacto “relativamente reduzido” no setor

A Casa do Azeite estimou hoje um impacto do acordo entre a UE e o Mercosul “relativamente reduzido” no setor do azeite, uma vez que, desde o ano passado, foram abolidas as taxas aduaneiras aplicadas a este produto pelo Brasil.

Executive Digest com Lusa
Janeiro 14, 2026
14:13

A Casa do Azeite estimou hoje um impacto do acordo entre a UE e o Mercosul “relativamente reduzido” no setor do azeite, uma vez que, desde o ano passado, foram abolidas as taxas aduaneiras aplicadas a este produto pelo Brasil.

“À partida, a abolição de barreiras e taxas aduaneiras é sempre uma oportunidade para dinamizar as trocas comerciais entre países, tendo em conta que normalmente essa abolição se irá refletir em preços mais baixos”, apontou, em resposta à Lusa, a secretária-geral da Casa do Azeite, Mariana Matos.

Contudo, o impacto imediato para o setor vai ser “relativamente reduzido”, uma vez que, desde o ano passado, foram abolidas as taxas aduaneiras aplicadas ao azeite virgem extra para o mercado brasileiro e que as importações dos restantes países (Argentina, Paraguai e Uruguai) são “completamente residuais”.

Ainda assim, a Casa do Azeite disse que o acordo é importante, uma vez que torna permanente a abolição das taxas.

Mariana Matos indicou ainda que o Brasil representa 99,9% das exportações nacionais de azeite para o Mercosul.

Segundo os dados da Casa do Azeite, o que está em causa são cerca de 50.000 toneladas de azeite e 300 milhões de euros anuais.

As previsões apontam para uma continuidade do crescimento das exportações para o Brasil, “mas não necessariamente por causa do acordo”, precisou.

A secretária-geral da Casa do Azeite não espera um aumento da concorrência nestes mercados, uma vez que o setor do azeite já é bastante competitivo.

Por outro lado, também não antevê a entrada em Portugal de produtos que não seguem as mesmas exigências que são aplicadas no mercado nacional.

“[…] Não há importação de azeite dos países do Mercosul para Portugal. Os países do Mercosul têm uma produção de azeite meramente residual, sem qualquer expressão para o comércio internacional”, explicou.

O Conselho da União Europeia anunciou na sexta-feira a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul.

Este acordo vai ser assinado no sábado, no Paraguai.

Com atividade desde 1976, a Casa do Azeite é uma associação patronal de direito privado, da qual fazem parte cerca de 40 empresas, que representam, aproximadamente, 85% de todo o azeite de marca embalado em Portugal.

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