A Casa do Azeite estimou hoje um impacto do acordo entre a UE e o Mercosul “relativamente reduzido” no setor do azeite, uma vez que, desde o ano passado, foram abolidas as taxas aduaneiras aplicadas a este produto pelo Brasil.
“À partida, a abolição de barreiras e taxas aduaneiras é sempre uma oportunidade para dinamizar as trocas comerciais entre países, tendo em conta que normalmente essa abolição se irá refletir em preços mais baixos”, apontou, em resposta à Lusa, a secretária-geral da Casa do Azeite, Mariana Matos.
Contudo, o impacto imediato para o setor vai ser “relativamente reduzido”, uma vez que, desde o ano passado, foram abolidas as taxas aduaneiras aplicadas ao azeite virgem extra para o mercado brasileiro e que as importações dos restantes países (Argentina, Paraguai e Uruguai) são “completamente residuais”.
Ainda assim, a Casa do Azeite disse que o acordo é importante, uma vez que torna permanente a abolição das taxas.
Mariana Matos indicou ainda que o Brasil representa 99,9% das exportações nacionais de azeite para o Mercosul.
Segundo os dados da Casa do Azeite, o que está em causa são cerca de 50.000 toneladas de azeite e 300 milhões de euros anuais.
As previsões apontam para uma continuidade do crescimento das exportações para o Brasil, “mas não necessariamente por causa do acordo”, precisou.
A secretária-geral da Casa do Azeite não espera um aumento da concorrência nestes mercados, uma vez que o setor do azeite já é bastante competitivo.
Por outro lado, também não antevê a entrada em Portugal de produtos que não seguem as mesmas exigências que são aplicadas no mercado nacional.
“[…] Não há importação de azeite dos países do Mercosul para Portugal. Os países do Mercosul têm uma produção de azeite meramente residual, sem qualquer expressão para o comércio internacional”, explicou.
O Conselho da União Europeia anunciou na sexta-feira a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul.
Este acordo vai ser assinado no sábado, no Paraguai.
Com atividade desde 1976, a Casa do Azeite é uma associação patronal de direito privado, da qual fazem parte cerca de 40 empresas, que representam, aproximadamente, 85% de todo o azeite de marca embalado em Portugal.














