Os comandantes russos terão criado uma situação crítica para o seu próprio 122º Regimento de Fuzileiros Motorizados em Kupyansk, na região de Kharkiv, ao declararem oficialmente a captura de território onde os combates continuam ativos. De acordo com o ‘Kyiv Post’, a discrepância entre os relatórios enviados para Moscovo e a realidade no terreno está a deixar unidades russas sem apoio de artilharia, encurraladas sob fogo ucraniano.
A denúncia foi divulgada pelo movimento partidário ucraniano Atesh, que cita um dos seus agentes integrado no 122º regimento. Segundo o comunicado, a liderança militar russa apresentou como conquistadas várias posições na cidade e nos arredores, numa tentativa de demonstrar progressos rápidos e reforçar a sua posição política e negocial.
Território “capturado” apenas no papel
Segundo a Atesh, essas áreas passaram a constar nos documentos oficiais como zonas de retaguarda, apesar de continuarem a ser palco de confrontos intensos. Na prática, os grupos de assalto russos permanecem expostos em zonas urbanas sob fogo ucraniano, mas veem recusados os pedidos de apoio de artilharia.
“O problema é burocrático”, refere o movimento. Como os mapas do quartel-general indicam que o setor já está sob controlo russo, os disparos de artilharia nessas coordenadas são formalmente proibidos, para evitar fogo sobre tropas próprias. O resultado, segundo a Atesh, é o isolamento das unidades de infantaria da linha da frente.
Um agente do movimento numa unidade de artilharia acrescenta que esta situação acaba por beneficiar a resistência ucraniana. As equipas de artilharia, invocando ordens superiores, abstêm-se de disparar, deixando as forças de assalto russas sem cobertura. “Enquanto o comando produz relatórios positivos, as suas tropas estão a ser sistematicamente destruídas, sem qualquer hipótese de ajuda”, afirma o comunicado, citado pelo ‘Kyiv Post’.
Ucrânia confirma combates e capturas de soldados russos
Do lado ucraniano, as autoridades confirmam que a situação em Kharkiv está longe de corresponder às versões divulgadas por Moscovo. O porta-voz do Serviço Estatal de Guarda de Fronteiras, Andriy Demchenko, afirmou numa transmissão televisiva que as forças ucranianas estão a limpar várias localidades e a capturar militares russos na sequência de ofensivas falhadas.
Segundo Demchenko, as áreas mais afetadas situam-se nas proximidades de Dihtyarne, Nesterne e Kruhle. As tropas russas estariam a tentar avançar em pequenos grupos de infantaria, sem apoio de veículos blindados, o que tem resultado em pesadas baixas. O responsável sublinhou que as unidades ucranianas não se limitam a repelir ataques, mas estão também a recuperar terreno e a fazer prisioneiros.
A atividade russa mantém-se elevada na zona de Vovchanskyi Khutory, dentro das áreas defensivas controladas pela guarda de fronteira ucraniana, mas sem ganhos territoriais confirmados.
Kiev rejeita alegações de captura de Kupyansk-Vuzlovyi
As autoridades ucranianas rejeitaram igualmente as recentes declarações do Estado-Maior russo sobre a suposta captura de Kupyansk-Vuzlovyi. Andriy Kovalenko, chefe do Centro de Combate à Desinformação do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, acusou o chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, de criar uma “realidade paralela” para o presidente Vladimir Putin.
Kovalenko afirmou que nem Kupyansk nem Kupyansk-Vuzlovyi estão sob controlo russo e garantiu que as forças ucranianas estão próximas de expulsar completamente as tropas do Kremlin da zona. Segundo o responsável, Moscovo procura fabricar avanços fictícios para consumo interno e amplificar essa narrativa no exterior através de redes de bots, explorando a falta de conhecimento geográfico do público estrangeiro.
Também o Grupo de Forças Conjuntas da Ucrânia negou qualquer controlo russo sobre Kupyansk-Vuzlovyi, afirmando que a localidade “nem sequer é adjacente à linha de contacto direto” e acusando os generais russos de inventarem sucessos militares “do zero”.














