O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou que, entre hoje e sábado, conselheiros do Governo ucraniano e da União Europeia irão reunir-se para discutir em detalhe um plano destinado a pôr fim à guerra com a Rússia. O anúncio foi feito durante uma conferência de imprensa em Kiev, após um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, David van Weel, conforme noticiou a televisão pública ucraniana Suspilne.
“Creio que os nossos conselheiros se reunirão nos próximos dias. Combinámos para sexta-feira ou sábado. Eles debaterão as particularidades deste plano”, afirmou Zelensky, acrescentando que o documento “servirá como base para as medidas diplomáticas subsequentes”.
Segundo o chefe de Estado ucraniano, o plano em discussão visa sobretudo estabelecer um cessar-fogo duradouro, condição essencial para iniciar qualquer processo de paz. “Este é o plano a partir do qual começa a diplomacia. E, na essência, é o principal”, declarou Zelensky, sublinhando que “será muito difícil para a Rússia retomar a agressão se existirem garantias de segurança sólidas” para a Ucrânia.
O Presidente ucraniano recordou ainda, numa entrevista anterior ao jornal digital norte-americano Axios, que Kiev e os líderes europeus se comprometeram a trabalhar num plano de cessar-fogo dentro de um prazo de sete a dez dias.
Na semana passada, uma dezena de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, juntamente com os líderes das instituições comunitárias, subscreveram com Zelensky uma declaração conjunta que reitera o apoio europeu a um cessar-fogo imediato, a negociações baseadas na linha de contacto atual e à inviolabilidade das fronteiras internacionais da Ucrânia.
Durante o encontro, David van Weel elogiou a “resistência e a determinação” da Ucrânia em alcançar a paz, classificando-as como “verdadeiramente impressionantes”. O ministro neerlandês sublinhou na rede social X que os Países Baixos “continuarão ao lado da Ucrânia nesta luta pela liberdade e integridade territorial” e frisou que “só a Ucrânia poderá decidir que tipo de acordo de paz é aceitável”.
Zelensky e Van Weel abordaram também o tema da responsabilização pelos crimes de guerra cometidos pela Rússia. O ministro neerlandês anunciou, após uma reunião com o homólogo ucraniano, Andriy Sybiga, que os Países Baixos irão acolher as fases iniciais da criação do Tribunal Especial para o Crime de Agressão contra a Ucrânia (STCA).
“É necessária justiça para os milhares de mortos e feridos, para os milhões de deslocados, para as crianças inocentes deportadas para a Rússia cujo destino ainda se desconhece”, afirmou Van Weel, citado pela Suspilne. “Os Países Baixos serão o país anfitrião para a criação inicial de um tribunal especial sobre o crime de agressão à Ucrânia”, acrescentou.
O ministro explicou ainda que o seu país, juntamente com a Ucrânia e outros aliados internacionais, vai trabalhar no desenvolvimento da estrutura fundamental do tribunal, preparando “a etapa seguinte, na qual o tribunal operacional iniciará o seu trabalho de acusação e investigação criminal”.
Além disso, Van Weel defendeu que Moscovo deve compensar financeiramente Kiev pelos danos provocados pela guerra. “Os Países Baixos continuarão a procurar chegar a um acordo sobre o uso dos bens russos congelados como empréstimo à Ucrânia, desde que os riscos jurídicos e financeiros estejam cobertos”, assegurou.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, alegando a necessidade de proteger minorias pró-russas no leste e de “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991. O conflito já causou dezenas de milhares de mortos e devastou infraestruturas civis e energéticas em várias cidades ucranianas.
Nos últimos meses, Moscovo intensificou os ataques aéreos em larga escala, enquanto Kiev respondeu com ofensivas de drones que atingiram alvos militares em território russo e na península da Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia em 2014.
No plano diplomático, o Kremlin tem rejeitado qualquer cessar-fogo prolongado e exige que a Ucrânia reconheça a soberania russa sobre quatro regiões ocupadas — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia — além da Crimeia, e que renuncie definitivamente à adesão à NATO. Kiev, por seu lado, considera estas condições “inaceitáveis” e, juntamente com os seus aliados europeus, defende um cessar-fogo incondicional de 30 dias como ponto de partida para futuras negociações de paz.
A Rússia, no entanto, argumenta que essa proposta permitiria à Ucrânia rearmar-se com a ajuda do Ocidente, prolongando o conflito em vez de o encerrar.














