Ucrânia alerta que Rússia tem plano de ataque de falsa bandeira com objetivo de ‘descarrilar’ negociações de paz

Os serviços de informações externas da Ucrânia alertaram esta sexta-feira para a forte probabilidade de a Rússia preparar um ataque de falsa bandeira em território russo ou em zonas da Ucrânia ilegalmente ocupadas, com o objetivo de inviabilizar as negociações de paz.

Pedro Gonçalves
Janeiro 2, 2026
14:44

Os serviços de informações externas da Ucrânia alertaram esta sexta-feira para a forte probabilidade de a Rússia preparar um ataque de falsa bandeira em território russo ou em zonas da Ucrânia ilegalmente ocupadas, com o objetivo de inviabilizar as negociações de paz mediadas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Kyiv, a operação visaria provocar um elevado número de vítimas civis e seria posteriormente atribuída à Ucrânia.

De acordo com o alerta emitido pelos serviços secretos ucranianos, o Kremlin poderá “elevar significativamente a fasquia” com uma ação encenada de grande impacto humano nos dias que antecedem o Natal ortodoxo russo, celebrado a 7 de janeiro. A advertência surge depois de a Ucrânia já ter acusado Moscovo de mentir sobre um alegado ataque de drones ucranianos contra a residência do Presidente russo, Vladimir Putin, numa tentativa de perturbar o processo de paz em curso.

Num comunicado oficial, os serviços de informações ucranianos afirmam prever “com elevada probabilidade uma transição da influência manipulativa para uma provocação armada dos serviços especiais da Federação Russa, com consequências em termos de perdas humanas significativas”. O mesmo texto sublinha que “o local da provocação poderá ser um edifício religioso ou outro objeto de elevado significado simbólico, tanto na Federação Russa como nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia”.

Segundo a avaliação de Kyiv, o plano passaria por utilizar drones de fabrico ocidental, recolhidos da linha da frente, que seriam levados até ao local do ataque encenado para sustentar a narrativa de que a Ucrânia estaria por detrás da ação. Esta abordagem, refere o comunicado, é “consistente com o modo de atuação habitual dos serviços especiais russos”, já observado em operações anteriores.

Os serviços secretos ucranianos afirmam ainda que “o regime de Putin recorreu repetidamente a esta tática dentro da Federação Russa” e que este mesmo modelo está agora a ser “exportado para o exterior”, algo que consideram ser indiretamente confirmado por declarações públicas de altos responsáveis russos. O comunicado aponta como exemplo histórico os atentados a prédios de habitação em 1999, em cidades como Moscovo, Buynaksk e Volgodonsk, que causaram mais de 300 mortos e mais de mil feridos.

Esses atentados, oficialmente atribuídos a militantes chechenos, são amplamente vistos como um caso paradigmático deste tipo de operação, tendo servido para lançar uma nova guerra na Chechénia e reforçar a popularidade de Vladimir Putin à época, antes de eleições decisivas. Para Kyiv, o alerta atual pretende chamar a atenção internacional para o risco de uma nova provocação com elevado custo humano, num momento sensível para eventuais avanços diplomáticos no conflito.

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