Gronelândia e Canadá sob domínio dos EUA e o ‘beija-mão’ da UE na Casa Branca: Trump volta a provocar aliados com imagens falsas

Publicações surgem num momento em que o presidente americano insiste publicamente na intenção de controlar o território ártico, pertencente à Dinamarca, membro da NATO

Francisco Laranjeira
Janeiro 20, 2026
12:15

Donald Trump voltou a utilizar as redes sociais como instrumento político, desta vez através da divulgação de imagens criadas por inteligência artificial que simulam a apropriação da Gronelândia pelos Estados Unidos e uma alegada reunião com líderes europeus. As publicações surgem num momento em que o presidente americano insiste publicamente na intenção de controlar o território ártico, pertencente à Dinamarca, membro da NATO.

Numa das imagens partilhadas, o presidente dos EUA surge a fincar a bandeira americana num pedaço de terra gelada, acompanhado por uma placa onde se lê “Gronelândia, território dos EUA”, com a data de 2026. Atrás de Trump aparecem o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente, JD Vance. A imagem é mais um gesto simbólico que reforça a narrativa expansionista que o líder americano tem vindo a assumir.

Antes disso, Trump tinha divulgado outra montagem artificial, desta vez simulando uma reunião com vários líderes europeus. Na imagem surgem figuras como o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, bem como o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte. A montagem inclui ainda um mapa onde a bandeira dos Estados Unidos se estende pelo Canadá e pela Venezuela, numa provocação que acompanha o discurso político do segundo mandato de Trump na Casa Branca.

As imagens surgem num contexto em que o presidente americano tem reiterado que “não há volta atrás” na sua intenção de controlar a Gronelândia, recusando afastar a possibilidade do uso da força. Trump argumenta que a segurança e a vigilância da ilha foram negligenciadas, defendendo que a maior ilha do mundo está sob ameaça da China e da Rússia.

A postura do presidente dos EUA tem gerado inquietação entre aliados europeus e reacendido tensões comerciais. A União Europeia admite responder com medidas de retaliação caso Washington avance com novas tarifas, enquanto líderes europeus sublinham que a questão ultrapassa a relação bilateral com a Dinamarca e afeta o conjunto das relações transatlânticas.

Apesar dos apelos à contenção por parte de responsáveis americanos, o discurso de Trump e o recurso a imagens falsas continuam a alimentar o clima de incerteza política e diplomática. A divulgação destas montagens artificiais é vista como mais um passo na estratégia de pressão sobre a Europa e na afirmação de uma agenda geopolítica mais agressiva por parte da Casa Branca.

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