Trump revela novo caça F-47 de 6.ª geração. Vai ser a Boeing (e não a Lockheed) a tratar do fabrico

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta sexta-feira que a Boeing foi escolhida para desenvolver o próximo caça de sexta geração da Força Aérea dos EUA, conhecido como Next Generation Air Dominance (NGAD).

Pedro Gonçalves
Março 21, 2025
15:58

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta sexta-feira que a Boeing foi escolhida para desenvolver o próximo caça de sexta geração da Força Aérea dos EUA, conhecido como Next Generation Air Dominance (NGAD). O novo avião receberá a designação F-47 e substituirá o F-22 Raptor, que tem servido como a principal aeronave de superioridade aérea do país desde o início do século XXI.

Trump, ladeado pelo Secretário da Defesa, Pete Hegseth, e pelo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General David W. Allvin, descreveu o novo avião como “o mais avançado, capaz e letal já construído”. O presidente afirmou ainda que “nada no mundo se aproxima sequer deste avião”, reforçando a confiança na capacidade dos Estados Unidos em manter a supremacia aérea.

A decisão de atribuir o contrato à Boeing surge após uma análise minuciosa conduzida pela administração Trump, que avaliou os custos e os requisitos do programa NGAD. O desenvolvimento do novo caça foi temporariamente suspenso no ano passado pelo antigo Secretário da Força Aérea, Frank Kendall, que ordenou uma revisão completa para determinar se o projeto era viável. O estudo interno da Força Aérea e um painel externo de antigos altos oficiais concluíram que o NGAD continua a ser essencial para a segurança nacional.

O Programa NGAD faz parte de uma abordagem inovadora O programa NGAD faz parte de uma abordagem inovadora para a guerra aérea, envolvendo uma “família de sistemas”. O novo F-47 operará em conjunto com aeronaves não tripuladas, conhecidas como Collaborative Combat Aircraft (CCA), que funcionarão como “ala leal” do caça tripulado, apoiando missões de combate, reconhecimento e defesa eletrónica.

Embora detalhes específicos sobre o design do F-47 ainda não tenham sido divulgados, espera-se que inclua tecnologia furtiva avançada, sensores de próxima geração e uma capacidade sem precedentes para operar em ambientes contestados. A capacidade de penetrar sistemas de defesa aérea sofisticados, como os desenvolvidos pela China, tem sido uma prioridade para o Pentágono. A China tem investido fortemente no desenvolvimento das suas próprias aeronaves de quinta e sexta geração, além de melhorar as suas defesas antiaéreas e capacidades de guerra eletrónica.

O programa de propulsão também está a ser desenvolvido com tecnologias de ponta. Os motores concorrentes para o NGAD são o XA102 da General Electric e o XA103 da Pratt & Whitney, ambos submetidos a revisões de design no programa Next-Generation Adaptive Propulsion. Estas novas unidades prometem maior impulso e alcance, fundamentais para o sucesso do F-47 em cenários de combate complexos.

Impacto estratégico e financeiro
O orçamento da Força Aérea para 2025 inclui quase 20 mil milhões de dólares destinados ao desenvolvimento do NGAD. Trata-se de um dos programas militares mais dispendiosos da atualidade, mas considerado essencial para manter a supremacia aérea dos Estados Unidos nas próximas décadas.

A escolha da Boeing é um grande triunfo para a empresa, que tem enfrentado dificuldades nos últimos anos devido a atrasos e problemas em diversos programas, como o novo avião presidencial VC-25B (“Air Force One”), o avião-tanque KC-46 Pegasus e o treinador T-7A Red Hawk. A perda do programa Joint Strike Fighter para a Lockheed Martin, que resultou no F-35 Lightning II, foi um duro golpe para a divisão de caças da Boeing. Agora, com o NGAD, a empresa tem a oportunidade de reafirmar a sua posição como um dos principais fabricantes de aeronaves militares.

Além da Força Aérea, a Marinha dos EUA também está a desenvolver o seu próprio programa de caça de sexta geração, designado F/A-XX, com um contrato previsto para ser adjudicado nos próximos meses. Embora os dois programas sejam independentes, é possível que compartilhem certas tecnologias.

Reações e expectativas
O General David W. Allvin destacou recentemente a importância da modernização da frota aérea dos EUA e da continuação do programa NGAD. Num discurso no AFA Warfare Symposium, a 3 de março, afirmou que a chave para o futuro da Força Aérea passa pelo conceito de “human-machine teaming”, onde pilotos e aeronaves não tripuladas operam de forma coordenada para maximizar a eficácia em combate.

Embora a Lockheed Martin tenha sido derrotada nesta competição, a empresa continua a desempenhar um papel vital na defesa aérea dos EUA, sendo responsável pelo F-35 Lightning II, um avião multifunção de quinta geração amplamente utilizado pelas forças americanas e seus aliados. No entanto, a crítica ao programa F-35 tem sido constante, incluindo por parte de Elon Musk, que sugeriu a necessidade de uma solução mais avançada para a guerra aérea moderna.

O primeiro voo do F-47 ainda não tem uma data definida, mas espera-se que a aeronave entre em serviço durante a década de 2030, consolidando-se como o próximo grande pilar da defesa aérea dos Estados Unidos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.