O presidente dos EUA, Donald Trump, manifestou-se “otimista” quanto à possibilidade de alcançar um acordo de paz na Ucrânia, após o êxito obtido no recente acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, segundo revelou um alto funcionário da Casa Branca ao jorna Politico.
O encontro entre Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky está marcado para sexta-feira, em Washington, e integra um esforço coordenado por Kiev para ‘deslocar’ a atenção da administração norte-americana da crise no Médio Oriente para o conflito entre Rússia e Ucrânia.
Segundo adiantou a embaixadora da Ucrânia em Washington, Olga Stefanishyna, a agenda da reunião incluirá o pedido de mísseis Tomahawk, novos sistemas de defesa aérea, resiliência energética e cooperação no fabrico de drones.
“A nossa estratégia é maximizar o impacto da reunião entre os líderes. Equipas militares têm trabalhado há duas semanas, o primeiro-ministro está em contacto com parceiros financeiros e as delegações económicas e energéticas estão focadas em mitigar os efeitos dos ataques russos à infraestrutura energética, mobilizando o envolvimento dos EUA na aquisição de gás”, explicou Stefanishyna ao Politico.
Antes do encontro na Casa Branca, responsáveis norte-americanos e ucranianos realizarão conversações bilaterais.
Zelenskyy revelou que Trump o aconselhou a reunir-se também com empresas de energia durante a sua estadia em Washington, onde planeia ainda encontros com representantes da indústria militar e com líderes do Congresso. O presidente ucraniano sublinhou que a proteção da infraestrutura do país face aos ataques russos continua a ser a prioridade principal.
“Há um forte impulso pela paz no mundo”
Num discurso à nação, Zelenskyy afirmou que “há um forte impulso pela paz no mundo neste momento”. E acrescentou: “O presidente dos Estados Unidos e a sua equipa fizeram muito. Outros líderes também ajudaram. Agora há uma oportunidade real de viver sem guerra no Médio Oriente, o que mostra que a Rússia pode realmente ser pressionada a cessar a agressão.”
A Casa Branca reforçou que Moscovo deveria ser motivada a negociar, tendo em conta o enfraquecimento da sua posição militar e económica. “A guerra não tem corrido bem para a Rússia, cuja economia está em ruínas e que continua a perder milhares de vidas para conquistar ‘virtualmente nenhum território’”, afirmou o mesmo responsável. “Se fossem inteligentes, tentariam chegar rapidamente a um acordo de paz.”
Trump tem insistido que o conflito é “muito mais difícil de resolver” do que inicialmente imaginava, mas acredita que o êxito diplomático no Médio Oriente poderá criar um precedente.
Ucrânia espera anunciar novos acordos de armamento
A embaixadora Stefanishyna adiantou que as discussões em Washington deverão incluir novas entregas de armas no âmbito da iniciativa Prioritized Ukraine Requirements List (PURL), criada pela NATO para financiar e agilizar o fornecimento de equipamento norte-americano a Kiev.
A diplomata acrescentou que há também planos para expandir a cooperação económica, indo além do acordo de minerais assinado no início do ano, através de um pacto de partilha tecnológica que permitirá aos EUA aceder a tecnologias de drones ucranianas. “Esta parceria representa não só uma vantagem estratégica para a Ucrânia, mas também uma contribuição real para a segurança global dos EUA e dos seus aliados”, afirmou.
Entre os membros da delegação ucraniana já em Washington encontram-se o ministro da Defesa, Rustem Umerov, e o chefe de gabinete de Zelenskyy, Andriy Yermak, que se reunirão com autoridades norte-americanas para discutir capacidades de longo alcance, defesa aérea e sanções adicionais contra a Rússia.
O desafio de negociar com Moscovo
Apesar da confiança renovada em Washington, a Rússia tem-se mostrado pouco recetiva aos esforços de mediação. A Casa Branca reconhece que Trump, que conseguiu pressionar Israel e o Hamas a um acordo, tem menos influência sobre o presidente russo Vladimir Putin, menos vulnerável a pressões internacionais e políticas internas.
Trump tem admitido publicamente a intenção de fornecer mísseis Tomahawk à Ucrânia, caso Moscovo continue a rejeitar negociações de paz, mas também alertou para o risco de escalada, uma vez que o alcance desses mísseis pode ser visto por Putin como uma ameaça direta a Moscovo.
“Vladimir e eu tínhamos uma boa relação — provavelmente ainda temos”, disse Trump a jornalistas na Sala Oval, na terça-feira. “Não sei porque continua com esta guerra. Ele precisa realmente de a terminar. Simplesmente não quer pôr fim a esta guerra.”
Segundo fontes citadas pelo Politico, Steve Witkoff, enviado especial e principal negociador de Trump para o Médio Oriente e Europa, afirmou que os três grandes objetivos de política externa do presidente para o seu segundo mandato são: encerrar o conflito em Gaza, pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia e concluir um novo acordo nuclear com o Irão.
Um colaborador próximo da equipa de segurança nacional da Casa Branca acrescentou que “reconheceram que Gaza seria o mais simples dos três”, mas que “não estão a desistir dos outros — pelo contrário, acreditam que o sucesso numa frente poderá gerar sucesso noutras”.
Stefanishyna concluiu que o esforço de Kiev em envolver a Casa Branca, legisladores e empresas norte-americanas pretende “revelar o potencial para uma mobilização política global que leve ao fim da guerra”.














