Os presidentes dos Estados Unidos e da China encontram-se esta quinta-feira à margem da cimeira da APEC, num momento de fortes tensões comerciais e tecnológicas. O mundo estará a observar de perto cada gesto entre Donald Trump e Xi Jinping.
A China confirmou oficialmente que o presidente Xi Jinping se reunirá amanhã com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, na Coreia do Sul, durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC). Este será o primeiro encontro bilateral entre os dois líderes desde 2019 e ocorre num contexto de forte tensão entre as duas maiores economias do mundo.
A reunião é vista como o ponto alto da atual digressão asiática de Trump, que já celebrou vários acordos comerciais com países do sudeste asiático. O encontro com Xi Jinping surge como um momento-chave da viagem, podendo definir o rumo das relações económicas e geopolíticas globais nos próximos meses.
Durante um discurso no Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico, em Gyeongju, na Coreia do Sul, Donald Trump manifestou-se confiante quanto à possibilidade de um novo entendimento com Pequim. “Espero que consigamos chegar a um acordo. Acredito que vai ser bom para ambos os países. Isso seria realmente um excelente resultado”, afirmou o presidente norte-americano, sublinhando que “é melhor isso do que estarmos em confronto e passarmos por todo o tipo de problemas sem necessidade”.
Trump adiantou que o mundo inteiro está a observar o encontro com Xi e que “a cooperação é sempre preferível à rivalidade”. O presidente norte-americano sublinhou também que uma das prioridades será reforçar o combate ao tráfico de fentanil, substância responsável por milhares de mortes por overdose nos Estados Unidos, e admitiu a possibilidade de reduzir as atuais tarifas sobre a China se isso contribuir para “avanços concretos na luta contra o narcotráfico”.
Delegações já chegaram a acordo preliminar antes da cimeira
O encontro entre Trump e Xi ocorre apenas alguns dias após delegações comerciais de ambos os países terem alcançado um “acordo preliminar” em Kuala Lumpur, na Malásia, destinado a aliviar as atuais tensões económicas. Esse avanço diplomático poderá servir de base para um entendimento mais amplo entre as duas potências.
As divergências intensificaram-se nas últimas semanas, depois de Pequim ter imposto novos controlos às exportações de terras raras, elementos essenciais para a indústria tecnológica mundial. Em resposta, Washington ameaçou aplicar tarifas de 100% sobre produtos chineses, uma medida que, segundo o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, só seria adotada “em coordenação com os países do G7 e da União Europeia”.
“Os chineses impuseram estes obstáculos à exportação de terras raras não apenas aos Estados Unidos, mas a todo o mundo, e se forem aplicadas sanções, será em conjunto com os nossos aliados”, afirmou Bessent antes de seguir para a Malásia.
TikTok, Taiwan e tecnologia de ponta entre os temas sensíveis
Segundo a imprensa norte-americana, Trump e Xi poderão discutir também o futuro da aplicação TikTok nos Estados Unidos, cuja legislação obriga à desvinculação da empresa chinesa ByteDance por motivos de segurança nacional. Questionado sobre se Taiwan será abordado durante a reunião, Trump respondeu que “talvez o tema nem venha à mesa”, acrescentando que “Taiwan é Taiwan”.
Além disso, a China pretende garantir o acesso a componentes tecnológicos avançados, como os microchips da Nvidia, fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial, e que têm sido alvo de restrições impostas por Washington.
Encontro pode definir o rumo dos mercados e das economias mundiais
De acordo com analistas, a reunião entre Trump e Xi Jinping pode ter impacto direto nos mercados globais. Um entendimento sólido entre as duas potências poderá aliviar a pressão sobre os mercados financeiros, beneficiar empresas ligadas ao comércio internacional e reduzir o risco de novas tarifas que encarecem os produtos importados.
Por outro lado, um fracasso nas negociações poderá agravar o clima de tensão, provocar quedas nas bolsas internacionais e aumentar a procura por ativos considerados mais seguros, como ouro e obrigações do Tesouro.
O objetivo de ambos os líderes é defender os seus interesses nacionais sem comprometer o equilíbrio global. Trump quer assegurar que a China continue a comprar produtos agrícolas norte-americanos e proteger a competitividade das empresas dos EUA, enquanto Xi Jinping tentará travar a aplicação de novas tarifas e garantir maior acesso às tecnologias necessárias ao crescimento económico chinês.













