Trump chega hoje a Davos e coloca políticas dos EUA no centro do Fórum Económico Mundial

Donald Trump chega esta quarta-feira a Davos, na Suíça, para participar na reunião anual do Fórum Económico Mundial (WEF), num momento em que as políticas dos Estados Unidos dominam a agenda do encontro que reúne a elite política e económica global.

Pedro Gonçalves
Janeiro 21, 2026
6:00

Donald Trump chega esta quarta-feira a Davos, na Suíça, para participar na reunião anual do Fórum Económico Mundial (WEF), num momento em que as políticas dos Estados Unidos dominam a agenda do encontro que reúne a elite política e económica global. O presidente norte-americano deverá encontrar-se com líderes empresariais de vários sectores, incluindo serviços financeiros, criptomoedas e consultoria, à margem do evento.

Segundo a Reuters, executivos de grandes empresas foram convidados para uma receção agendada para depois do discurso especial que Trump irá proferir no WEF, embora a agenda exata do encontro não tenha sido divulgada. De acordo com fontes citadas pela agência, os convites terão partido diretamente da Casa Branca e não se limitaram a gestores norte-americanos.

Um dos responsáveis empresariais referiu apenas ter registado na agenda “uma receção em honra do Presidente Donald J. Trump”, enquanto outro indicou que o convite abrangia líderes empresariais globais. A realização do encontro foi confirmada publicamente por Anthony Scaramucci, investidor que desempenhou por um curto período as funções de director de comunicação da Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump. Ainda assim, Scaramucci afastou a possibilidade de participar, afirmando que, mesmo que fosse convidado, não estaria interessado em “ser um espetáculo secundário”.

Presença dos EUA marca encontro do Fórum Económico Mundial
A chegada de Trump a Davos ocorre num contexto em que a agenda do Fórum Económico Mundial foi, em parte, ultrapassada por decisões recentes do presidente norte-americano, incluindo exigências relacionadas com a Gronelândia. A influência da política externa e económica dos Estados Unidos é particularmente visível este ano, com vários encontros paralelos a serem ajustados para responder às posições assumidas por Washington.

Trump faz-se acompanhar por vários altos responsáveis da administração norte-americana, entre os quais o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Este alertou os governos europeus contra qualquer retaliação em resposta a medidas adotadas pelos Estados Unidos, considerando que tal seria “muito imprudente”. Questionado sobre eventuais reações europeias, Bessent afirmou que “todos devem levar o presidente à letra” no que diz respeito às intenções norte-americanas sobre a Gronelândia.

“Tenho estado a viajar, por isso não estive em contacto com responsáveis europeus, mas falei com o presidente Trump e é evidente que há muitos contactos em curso”, afirmou Bessent, sublinhando que a posição da Casa Branca deve ser encarada com seriedade.

À margem do fórum, assessores de segurança nacional de vários países deverão reunir-se já esta quarta-feira, tendo a situação da Gronelândia sido acrescentada à agenda de um encontro previamente agendado, segundo fontes diplomáticas. A decisão surge depois de Trump ter anunciado, no sábado, a intenção de impor tarifas adicionais a oito países europeus até que os Estados Unidos sejam autorizados a adquirir a ilha do Árctico.

A China também marca presença de relevo em Davos. O vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, participa com um discurso especial e deverá igualmente organizar uma receção com diretores-executivos e fundadores de grandes empresas globais. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês não respondeu de imediato a pedidos de comentário.

Entre os participantes internacionais destaca-se ainda a presença de Kirill Dmitriev, enviado especial do presidente russo Vladimir Putin, que deverá manter encontros com membros da delegação norte-americana, segundo fontes com conhecimento da visita.

Empresários analisam estilo e estratégia de Trump
As posições assumidas por Trump continuam a gerar debate entre líderes empresariais presentes no fórum. Jenny Johnson, diretora-executiva da gestora de ativos Franklin Templeton, considerou que a abordagem do presidente norte-americano faz parte de uma estratégia negocial clara. “Todos conhecemos o estilo dele. É chegar com um martelo e depois negociar”, afirmou, reconhecendo que a postura pode ser desconfortável, mas defendendo que visa proteger interesses de longo prazo dos Estados Unidos.

A reunião anual do Fórum Económico Mundial conta este ano com mais de 3.000 participantes de mais de 130 países, incluindo 64 chefes de Estado e de Governo, com especial destaque para líderes de economias emergentes, num cenário em que a política norte-americana volta a assumir um papel central nos debates globais.

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