O Governo dos Estados Unidos adjudicou contratos no valor total de 4,5 mil milhões de dólares para a construção de 230 milhas (aproximadamente 370 km) de barreiras ao longo da fronteira sudoeste, anunciou esta sexta-feira o Departamento de Segurança Nacional (DHS). Esta expansão integra o programa conhecido como “Smart Wall” — um sistema de segurança fronteiriça que inclui barreiras de aço, barreiras aquáticas, estradas de patrulha, iluminação, câmaras e tecnologia avançada de deteção.
Segundo o DHS, sete dos dez contratos adjudicados em setembro foram atribuídos à BCCG Joint Venture. O Comissário da Alfândega e Proteção Fronteiriça (CBP), Rodney Scott, comentou: “O Smart Wall significa mais milhas de barreiras, mais tecnologia e mais capacidade para os nossos agentes em terreno. É assim que se controla a fronteira.”
A secretária do DHS, Kristin Noem, emitiu duas isenções para nove milhas de Smart Wall no Sector de San Diego da CBP e cerca de 30 milhas no Novo México, no Sector de El Paso. O objetivo declarado foi “cortar a burocracia e acelerar a construção do Smart Wall”, segundo comunicado oficial. Não foi clarificado porque foram necessárias estas isenções, que normalmente permitem contornar legislação ambiental ou outras regras federais.
Segundo um anúncio publicado na quarta-feira no Federal Register, o DHS pretende construir a barreira entre Sunland Park e a extremidade oriental do chamado “salto da bota” do Novo México, perto de Antelope Wells, a partir de 8 de outubro. A ordem invoca “uma necessidade aguda e imediata de construir barreiras físicas adicionais e estradas junto à fronteira para prevenir entradas ilegais”.
A ordem inclui também a suspensão da aplicação de 27 leis federais, incluindo a Lei das Espécies em Perigo, a Lei da Água Limpa e a Lei Nacional de Política Ambiental. Estas isenções são semelhantes às já aplicadas em projetos anteriores no Arizona e Novo México, como o de Mount Cristo Rey.
Durante uma visita recente à fronteira em Santa Teresa, Kristin Noem anunciou ainda que as barreiras seriam pintadas de negro para, alegadamente, “queimar a pele e dissuadir a travessia”. No local, foi destacado que as travessias ilegais caíram 98% desde um pico em 2023, passando de 2.400 pessoas para uma média de 39 apreendidas em 2025.
O deputado americano Gabe Vasquez (D-NM), cujo distrito inclui a fronteira sul do Novo México, declarou ao Source NM que “garantir a segurança da nossa fronteira é uma prioridade”, mas admitiu que uma barreira física “nem sempre faz sentido ou promove a segurança pública”. Vasquez defendeu “o uso de tecnologia como torres, sensores e sistemas aéreos, que protegem melhor o ambiente, corredores de fauna e acesso público, sendo mais eficazes em termos de custos e segurança nacional.”






