Trump assina ordem executiva para tornar o inglês a língua oficial dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara-se para assinar uma ordem executiva que tornará o inglês a língua oficial do país pela primeira vez na sua história, segundo fontes da Casa Branca. A decisão marca uma mudança significativa na política linguística federal e levanta questões sobre os direitos linguísticos de milhões de cidadãos que falam outras línguas no território norte-americano.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 28, 2025
15:22

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara-se para assinar uma ordem executiva que tornará o inglês a língua oficial do país pela primeira vez na sua história, segundo fontes da Casa Branca. A decisão marca uma mudança significativa na política linguística federal e levanta questões sobre os direitos linguísticos de milhões de cidadãos que falam outras línguas no território norte-americano.

Apesar de o inglês ser amplamente utilizado em todos os setores da sociedade norte-americana, os Estados Unidos nunca tiveram uma língua oficial a nível federal. Ao longo da sua história, o país recebeu imigrantes de todo o mundo, tornando-se num dos locais mais linguisticamente diversos. De acordo com o U.S. Census Bureau, mais de 78% da população fala apenas inglês em casa, mas milhões de cidadãos utilizam outras línguas, incluindo espanhol, chinês, tagalo e dezenas de línguas indígenas americanas.

Mais de 30 estados já aprovaram legislação que designa o inglês como a língua oficial a nível estadual, mas a nível federal nunca foi adotada uma norma semelhante. O novo decreto presidencial vem alterar este panorama ao estabelecer o inglês como língua oficial dos Estados Unidos.

Fim da obrigatoriedade de assistência linguística federal
Segundo o Wall Street Journal ordem executiva assinada por Trump revogará um mandato federal instituído pelo ex-presidente Bill Clinton, que obrigava as agências e os destinatários de financiamento federal a fornecer assistência linguística a cidadãos que não falam inglês. No entanto, segundo um resumo da medida consultado pelo The Wall Street Journal, as agências ainda poderão disponibilizar documentos e serviços noutros idiomas, mas já não estarão legalmente obrigadas a fazê-lo.

O objetivo declarado da ordem executiva é “promover a unidade nacional, aumentar a eficiência do governo e criar um caminho para a participação cívica”.

Ligação com a política migratória de Trump
A medida surge no contexto da política mais ampla da administração Trump, que tem feito do combate à imigração ilegal uma das suas principais bandeiras. Durante a campanha presidencial de 2024, Trump alertou para a presença de imigrantes que não falam inglês em comunidades como Springfield, no Ohio, afirmando que isso criava dificuldades na integração e na comunicação nas escolas.

“Temos línguas a entrar no nosso país que ninguém aqui fala”, afirmou Trump durante um comício em 2023. “São línguas que ninguém jamais ouviu. É uma coisa horrível.”

Além disso, Trump e os republicanos gastaram milhões de dólares durante a campanha para tentar alcançar eleitores de língua espanhola e de outras comunidades linguísticas. No entanto, logo após tomar posse, a administração Trump eliminou a versão em espanhol do site oficial da Casa Branca e encerrou a conta oficial La Casa Blanca na rede social X (antigo Twitter).

Tentativas anteriores de oficializar o inglês
Embora os Estados Unidos nunca tenham tido uma língua oficial, a fluência em inglês é um requisito fundamental para a naturalização de novos cidadãos. Para obter a cidadania, os candidatos devem demonstrar a capacidade de ler, escrever e falar inglês em testes oficiais.

Desde o movimento pelos direitos civis nos anos 1960, foram aprovadas várias leis para garantir serviços e igualdade de oportunidades para pessoas que não falam inglês. No entanto, ao longo dos anos, legisladores republicanos tentaram repetidamente aprovar legislação para tornar o inglês a língua oficial do país, sem sucesso.

O atual vice-presidente, JD Vance, foi um dos congressistas que defendeu essa política. Quando era senador pelo estado do Ohio, Vance apresentou o English Language Unity Act, um projeto de lei co-patrocinado pelo senador Kevin Cramer, que pretendia obrigar o governo federal a conduzir todos os seus negócios oficiais em inglês e introduzir um padrão de teste linguístico como requisito para a cidadania.

A decisão de Trump de assinar esta ordem executiva deverá gerar reações intensas tanto de apoiantes como de opositores. Para os defensores da medida, tornar o inglês a língua oficial reforça a identidade nacional e facilita a administração pública. Já os críticos argumentam que a revogação da assistência linguística federal pode dificultar o acesso de milhões de cidadãos a serviços essenciais e representar um obstáculo para a integração de novas comunidades imigrantes.

Com a assinatura do decreto, os Estados Unidos juntam-se a outros países que já têm uma língua oficial estabelecida a nível nacional. No entanto, resta saber quais serão as implicações concretas da medida na vida quotidiana dos cidadãos e na política norte-americana nos próximos anos.

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