O presidente americano, Donald Trump, aproveitou esta terça-feira, numa reunião invulgar de todos os generais do país, convocada pelo Pentágono, para alertar os comandantes militares sobre uma “invasão interna” nos Estados Unidos. “Estamos sob uma invasão interna. Não é diferente de um inimigo externo, mas é mais difícil, em muitos aspetos, porque não estão fardados”, declarou o republicano no seu discurso aos comandantes das Forças Armadas na base militar de Quantico, na Virgínia.
O evento na Academia do Corpo de Fuzileiros Navais, para o qual foram convocados todos os comandantes seniores dos EUA, independentemente da sua localização (em qualquer parte do mundo), tinha como objetivo que Trump e o seu secretário da Defesa, Pete Hegseth, apresentassem a sua visão do que as Forças Armadas dos EUA deveriam ser: um exército composto por “guerreiros” e não por “defensores”; onde as barbas e os cabelos compridos serão proibidos; onde os esforços para promover a diversidade acabarão; o politicamente correto será proibido; e onde as mulheres terão de cumprir os “mais elevados” padrões masculinos para serem mobilizadas em funções de combate, segundo o chefe do Pentágono.
O discurso, indicou o jornal espanhol ‘El País’, transformou-se numa defesa da transformação das Forças Armadas num instrumento político. E do seu uso não só contra os inimigos externos, mas também contra aqueles que pudessem discordar dele dentro dos Estados Unidos. “No mês passado, assinei uma ordem executiva para treinar uma força de reação rápida para ajudar a reprimir a agitação civil. Isto vai ser um grande negócio para as pessoas nesta sala, porque é o inimigo interno, e temos de o enfrentar antes que se descontrole.”
Trump aproveitou a oportunidade para defender o envio das Forças Armadas para cidades governadas pela oposição democrata, argumentando que estas cidades são dominadas pela violência, apesar dos números oficiais sugerirem o contrário. “Deveríamos usar algumas destas cidades perigosas como campos de treino para os nossos militares”, chegou a sugerir o presidente.
Sob o comando de Hegseth, o Pentágono aprovou as ordens de Trump para enviar tropas da Guarda Nacional, ou mesmo os Fuzileiros Navais, para cidades governadas pela oposição democrata, alegando que os níveis de violência nestas cidades justificam uma medida tão extrema. Primeiro, Los Angeles, depois Washington, Memphis e, como anunciou este fim de semana, agora Portland, no Oregon. “A próxima será Chicago”, prometeu Trump no seu discurso em Quantico, repetindo o que tem vindo a dizer há semanas.
Segundo Trump, “Washington é agora uma cidade muito segura. É perfeita. Aliás, já fui jantar fora e não o teria feito antes”, gabou-se. “Isto é para que nenhum inimigo nos ameace e as forças americanas continuem a ser a força mais letal e dominante do planeta, não apenas durante alguns anos, mas durante décadas e gerações futuras, durante séculos. Devemos ser tão poderosos que nenhum inimigo se atreva a ameaçar-nos, e tão capazes que nenhum adversário pense sequer em atacar-nos”, disse Trump.














