Um tribunal criminal de Paris considerou, esta segunda-feira, dez pessoas culpadas de assédio online contra a primeira-dama francesa, Brigitte Macron, no âmbito de um processo relacionado com a difusão reiterada de alegações falsas e comentários ofensivos sobre o seu género, sexualidade e vida pessoal.
Os arguidos — oito homens e duas mulheres, com idades compreendidas entre os 41 e os 65 anos — foram julgados por terem divulgado, através de plataformas digitais, conteúdos descritos pela acusação como “particularmente degradantes, insultuosos e maliciosos”, dirigidos à esposa do Presidente francês, Emmanuel Macron.
De acordo com os factos apurados em tribunal, os condenados propagaram mentiras sobre uma suposta identidade transgénero de Brigitte Macron, alegando falsamente que a primeira-dama teria nascido homem. As publicações incluíam ainda insinuações sobre crimes de pedofilia, associadas à diferença de idades de 24 anos entre Brigitte Macron, atualmente com 72 anos, e o Presidente francês, de 48 anos.
Estes conteúdos circularam amplamente nas redes sociais, integrando uma teoria da conspiração que existe desde 2017, ano em que Emmanuel Macron foi eleito Presidente de França pela primeira vez.
Segundo a decisão judicial, os dez arguidos foram considerados culpados de assédio digital continuado, tendo o tribunal aplicado penas de prisão suspensas que podem ir até oito meses, de acordo com informações divulgadas pela imprensa francesa e pela BBC.
O tribunal entendeu que os comentários ultrapassaram largamente os limites da liberdade de expressão, configurando uma campanha de assédio pessoal e difamatório, com impacto direto na dignidade e na vida privada da primeira-dama.
Este processo insere-se num contexto mais vasto de ações judiciais movidas pelo casal presidencial contra a disseminação de teorias conspirativas. Recentemente, Brigitte e Emmanuel Macron avançaram com um processo por difamação nos Estados Unidos contra a influenciadora norte-americana de direita Candace Owens, acusada de ter contribuído para a amplificação internacional destas alegações falsas.
Em declarações à estação francesa TF1, numa entrevista transmitida no domingo, Brigitte Macron explicou que decidiu avançar judicialmente para “dar o exemplo” no combate ao assédio online, sublinhando a importância de responsabilizar judicialmente quem utiliza o espaço digital para atacar e humilhar terceiros.
A decisão do tribunal de Paris é vista como um marco simbólico na resposta da justiça francesa ao assédio digital dirigido a figuras públicas, num contexto de crescente preocupação com a violência verbal e a desinformação nas redes sociais.














