Um cidadão francês a viver na Noruega relatou a surpresa com a forma como os locais de trabalho encaram a presença de funcionários doentes. De acordo com o ‘HuffPost’, o utilizador @laviv.inrg, do ‘TikTok’, resumiu o choque cultural numa frase direta: “Aquilo que em França é visto como um gesto de dedicação, na Noruega é encarado como um ato de puro egoísmo.”
O criador de conteúdos explicou que chegar ao escritório com gripe é considerado, no seu país de origem, um comportamento quase heroico. Na Noruega, diz, é exatamente o contrário. “Eles veem isso como uma potencial infeção de 30 pessoas e, portanto, consideram um egoísmo irresponsável”, afirmou.
O contraste estende-se à própria relação com os superiores hierárquicos. “Quando diz ao seu chefe que está doente, ele responde: ‘Mas por que é que está a desculpar-se? É normal, não está bem. Não venha trabalhar’”, descreveu.
Horas extra sem pagamento? “Surpreendente” para os noruegueses
Outra diferença observada pelo francês prende-se com a cultura laboral relativa às horas extraordinárias. Contou que, ao admitir trabalhar para além do horário sem compensação, ouviu comentários de estupefação. “Dizem: ‘Está a trabalhar de graça’. Alguns até me disseram que é escravidão moderna”, afirmou.
A legislação norueguesa permite que um trabalhador falte até três dias consecutivos sem apresentar atestado médico, graças ao mecanismo de “autodeclaração” (egenmelding). O funcionário apenas tem de informar o empregador.
Segundo indicações do serviço nacional de saúde, cada entidade define os seus procedimentos internos, podendo solicitar a autodeclaração verbalmente ou por escrito. Em alguns casos, pode ser exigida uma confirmação adicional após o regresso ao trabalho.
Quando a autodeclaração pode ser recusada
A norma prevê igualmente limites. O empregador pode suspender o direito à autodeclaração se considerar que existem motivos razoáveis para duvidar da justificação da ausência. A decisão tem de ser comunicada previamente ao trabalhador, que pode apresentar a sua posição. Após seis meses, a empresa deve reavaliar a suspensão e decidir se o direito pode ser restabelecido.
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