A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, manteve a agenda oficial inalterada no dia 28 de janeiro, apesar dos alertas emitidos na véspera e numa altura em que já se faziam sentir as consequências mais graves da tempestade Kristin, que atingiu com particular intensidade o litoral dos distritos de Leiria e Coimbra.
Quando no terreno começava a ser feito um primeiro balanço trágico — com seis mortes confirmadas, número que viria a subir para 10 — a ministra marcou presença, em Lisboa, na cerimónia de promoção, entrega de espadas e tomada de posse de oficiais da GNR, realizada no Quartel do Carmo. Maria Lúcia Amaral esteve acompanhada pelo secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Ribeiro, segundo noticiou esta sexta-feira o ‘Correio da Manhã’.
A cerimónia incluiu a promoção da primeira mulher a brigadeiro-general da GNR, Carla Tomé Domingos, momento que foi inicialmente divulgado nas redes sociais da força de segurança. As publicações seriam entretanto apagadas algumas horas depois, situação que gerou críticas e levantou dúvidas sobre uma eventual tentativa de ocultação.
Fonte oficial da GNR assegurou, no entanto, que não houve qualquer ordem superior para remover os conteúdos e que a decisão foi tomada por considerar que “fazia pouco sentido, tendo em conta o momento do país”. A mesma fonte garantiu que a informação sobre a cerimónia continua disponível noutras plataformas institucionais.
Visita ao terreno só dois dias depois
Apesar da gravidade da situação na região Centro, a ministra optou por não se deslocar de imediato às zonas mais afetadas, explicando mais tarde que estava a trabalhar a partir de Lisboa num “contexto de invisibilidade”, centrado na coordenação e planeamento da resposta do Estado. Maria Lúcia Amaral só visitou Leiria no dia 30 de janeiro, cerca de 48 horas após o pico da tempestade e um dia depois da deslocação do primeiro-ministro, Luís Montenegro, à região.
De acordo com o ‘Correio da Manhã’, esta opção alimentou críticas políticas e públicas, num momento em que se multiplicavam os apelos à presença governamental no terreno perante a dimensão dos danos e das vítimas.
Defesa da atuação e apelos à prevenção
Já após a passagem da depressão Kristin, Maria Lúcia Amaral, à saída de uma conferência de imprensa da Proteção Civil, referiu-se a uma “provação terrível provocada por um fenómeno climatérico extremo”. A ministra sublinhou que o primeiro pensamento do Governo estava nas vítimas mortais e alertou que o período mais crítico ainda não tinha terminado.
A governante explicou que o planeamento da resposta começou antes da noite da tempestade, com a convocação do Centro Nacional de Coordenação Operacional, envolvendo várias entidades do Estado, incluindo forças de segurança, Forças Armadas e o Ministério do Ambiente. Defendeu que a eficácia da resposta depende da articulação entre todos os agentes do Sistema Integrado de Proteção e Socorro e reiterou que tudo estaria a ser feito para minimizar o sofrimento das populações afetadas.
Campanha partidária e voto de confiança
No mesmo dia da cerimónia da GNR, Paulo Ribeiro enviou um email a militantes do PSD a anunciar a sua recandidatura à distrital de Setúbal do partido, gesto que também foi alvo de críticas, tendo em conta o contexto de emergência vivido no país.
Face à contestação dirigida à ministra da Administração Interna, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, veio a público manifestar um voto de confiança, afirmando ter “certeza” de que Maria Lúcia Amaral reúne todas as condições para continuar no cargo. “Este não é o momento da avaliação, é o momento da ação”, declarou.














