Teletrabalho recomendado, mas escolas abertas? Diretores questionam decisão de Moedas e admitem fechar estabelecimentos

Em declarações exclusivas à Executive Digest, o presidente da ANDAEP, Filinto Lima, sublinha que a prioridade deve ser sempre a proteção dos alunos e considera que manter as escolas abertas, enquanto se pede às famílias para ficarem em casa, pode gerar um “contrassenso”.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 4, 2026
18:10

O agravamento das condições meteorológicas previsto para a Área Metropolitana de Lisboa está a levantar dúvidas sobre a manutenção das aulas presenciais nos próximos dias. Depois de o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, ter recomendado teletrabalho, a redução de deslocações e o encerramento de jardins por razões de segurança, a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) admite que o fecho de estabelecimentos de ensino pode ser uma solução legítima.

Em declarações exclusivas à Executive Digest, o presidente da ANDAEP, Filinto Lima, sublinha que a prioridade deve ser sempre a proteção dos alunos e considera que manter as escolas abertas, enquanto se pede às famílias para ficarem em casa, pode gerar um “contrassenso”.

Carlos Moedas alertou que o estado do tempo deverá agravar-se entre a meia-noite de quinta-feira e domingo, com previsão de chuva e vento fortes. O autarca apelou às empresas para facilitarem o trabalho à distância e pediu à população para evitar deslocações desnecessárias, zonas ribeirinhas e jardins.

Como medida preventiva, a autarquia ordenou o encerramento dos jardins do Alvito, Estrela e Serafina, justificando que o solo saturado aumenta o risco de queda de árvores. A Proteção Civil elevou ainda o estado de prontidão para o nível máximo, numa situação considerada “muito complexa”, associada à passagem da depressão Leonardo, que traz chuva intensa, vento forte, agitação marítima e neve.

Neste contexto, surge a questão: se os pais são aconselhados a permanecer em casa, faz sentido obrigar as crianças a deslocarem-se diariamente para a escola?

Decisão cabe aos diretores, mas segurança é critério central
Filinto Lima esclarece que, para já, não existe qualquer indicação formal para encerrar escolas em Lisboa. “Nós não temos nenhum conhecimento. Pelo contrário, o que eu sei é que hoje abriram as escolas”, referiu, apontando os casos da Marinha Grande e de Leiria, que reabriram após dias de encerramento, por causa dos efeitos da tempestade Kristin.

O dirigente recorda, contudo, que a decisão compete a cada direção escolar, sempre em articulação com as autoridades locais. “A decisão de não abrir uma escola ou encerrar a escola parte do diretor. O diretor é o responsável, mas sempre ouvindo a Proteção Civil e a Câmara Municipal local”, explica, acrescentando que os responsáveis escolares seguem as indicações dessas entidades, “porque eles é que sabem do perigo que poderá vir com o tempo”.

“Não podemos receber um aluno numa escola sem ser em segurança”
Perante a possibilidade de agravamento das condições atmosféricas em Lisboa, Filinto Lima admite que o encerramento pode ser ponderado.

“Poderá ser recomendado”, afirma, reforçando que tudo depende da avaliação do risco. E deixa claro o princípio orientador: “Nós não podemos receber um aluno numa escola sem ser em segurança. Não pode”.

O presidente da ANDAEP insiste que a escola deve ser “um lugar seguro”, mas alerta que essa segurança não se limita ao espaço físico do estabelecimento. “Eu digo sempre que a escola é um lugar seguro e é um lugar seguro. Mas perante aquilo que deverá acontecer nas próximas horas em Lisboa, tem que ser ponderado, no sentido de amanhã ou nos próximos dias as escolas estarem abertas ou estarem encerradas”.

Apesar de defender o funcionamento regular das escolas, Filinto Lima afasta qualquer resistência ideológica ao fecho temporário quando a segurança está em causa.

“Não me repugna nada, atenção, eu gosto das escolas abertas, mas nestes casos as escolas estarem encerradas não me repugna nada, tendo em conta a segurança dos alunos”, afirma.

O dirigente lembra ainda que muitos riscos surgem no percurso casa-escola. “Eles podem não estar seguros no trajeto que fazem de casa para a escola”, diz, antecipando cenários de cheias e dificuldades de circulação: “Vai acontecer, as cheias, etc. Eu acho que isso tudo deve ser ponderado. A segurança é o principal critério de todos nós e das escolas”.

Filinto Lima admite que, se a Câmara de Lisboa entender que o risco é elevado, essa indicação deverá chegar às direções escolares. “Se Carlos Moedas achar que as escolas devem estar encerradas, é porque ouviu a Proteção Civil e se calhar vai passar essa mensagem aos diretores de Lisboa”.

Para já, não existem orientações formais nesse sentido, mas o presidente da ANDAEP deixa claro que a prioridade é inequívoca: quando a segurança de alunos e comunidades educativas está em causa, o encerramento temporário dos estabelecimentos é uma opção legítima.

Com a previsão de dias “muito desafiantes” até domingo, como alertou o autarca lisboeta, a decisão poderá depender da evolução das próximas horas.

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