A Proteção Civil ativou esta quinta-feira o alerta vermelho para a bacia do Tejo, face a uma subida intensa e rápida do caudal do rio, um fenómeno cuja dimensão não se verificava desde 1997. Perante o risco extremo de cheias, o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil apelou às populações das zonas ribeirinhas para abandonarem preventivamente as habitações e procurarem locais seguros.
Em conferência de imprensa na sede da ANEPC, em Carnaxide, Mário Silvestre sublinhou que a velocidade e a intensidade do aumento do caudal são excecionais. Segundo o responsável, há quase três décadas que não se registava um episódio com este potencial de impacto na bacia do Tejo, o que exige comportamentos de autoproteção imediatos por parte das populações mais expostas.
O agravamento da situação está ligado, por um lado, às descargas muito elevadas das barragens espanholas de Alcântara e Cedilho, que estão a libertar caudais na ordem dos sete mil metros cúbicos por segundo, e, por outro, às contribuições das bacias hidrográficas em território nacional. Em Almourol, os valores ultrapassaram durante a madrugada os 7.400 metros cúbicos por segundo, quando inicialmente eram esperados cerca de 3.500, levando à ativação do nível máximo de alerta.
O comandante nacional foi claro nas recomendações às populações ribeirinhas: retirar bens essenciais das casas, abandonar as habitações sempre que possível e deslocar-se para locais elevados e seguros. Sublinhou que o comportamento preventivo é determinante para evitar vítimas, num contexto em que são esperadas inundações em zonas urbanas, cheias, deslizamentos de terras, lençóis de água nas estradas e arrastamento de objetos.
A Proteção Civil voltou também a alertar para os riscos da circulação rodoviária, aconselhando os condutores a não atravessarem estradas inundadas, recordando que pequenas alturas de água são suficientes para imobilizar veículos e colocar vidas em perigo. Foi igualmente recomendado o afastamento de equipamentos elétricos, a proteção dos animais e a manutenção das crianças longe das linhas de água, bem como a rejeição de comportamentos de risco, como a aproximação a zonas inundadas para fotografar ou filmar.
André Morais, especialista em Proteção Civil, criticou, em declarações à ‘SIC Notícias’, as autoridades por falta de informação. “Quando recebem a informação [a Proteção Civil] – e esta tem de ser fechada – temos de especificar quais os concelhos, e se pudermos chegar ao patamar de freguesia, ainda melhor seria. Sendo só ‘zonas ribeirinhas’, fica o vazio.”
“A Proteção Civil municipal tem de estar envolvida com os patamares sub-regionais, regionais e nacionais, para quando recebe esta informação poder despoletar todos os mecanismos a nível municipal para poder chegar à população dessas zonas identificadas como potencialmente perigosas, porque as cheias são uma evidência, as inundações também já estão a ser, e há necessidade de retirar essas pessoas. É preciso saber se estas têm capacidade de se retirar por elas próprias e perceber qual a zona de retaguarda que estas pessoas possam ter”, apontou.
Há ainda outro problema, salientou o especialista. “Esta informação que temos agora já a sabíamos, mas era importante conseguir chegar às pessoas, e muitas delas não têm ainda abastecimento de luz nem de comunicações. Temos de perceber quais os públicos afetados e era importante o patamar de freguesia e municipal estarem fortemente envolvidos quando há uma decisão superior.”














