A Tailândia começou a usar uma vacina anticoncecional em elefantes selvagens para tentar conter um problema crescente em áreas onde campos agrícolas se espalham pelas florestas e os elefantes são expulsos do seu habitat natural.
A iniciativa faz parte de esforços para evitar confrontos entre animais e humanos que podem tornar-se mortais.
À medida que os agricultores derrubam florestas para criar mais terras agrícolas, os elefantes são forçados a sair dos seus habitats, cada vez menores, em busca de alimento.
Em 2025, elefantes selvagens mataram 30 pessoas e feriram 29 na Tailândia, de acordo com números oficiais, que também registaram mais de dois mil incidentes de danificação de culturas por elefantes.
O diretor do Gabinete de Conservação da Vida Selvagem, Sukhee Boonsang, disse à agência de notícias Associated Press que o controlo da população de elefantes selvagens se tornou necessário, uma vez que o número de elefantes que vivem perto de áreas residenciais aumentou drasticamente, intensificando o risco de confrontos.
O gabinete obteve 25 doses de uma vacina fabricada nos Estados Unidos e realizou um ensaio de dois anos em sete elefantes domesticados — utilizando sete doses da vacina — que produziu resultados promissores, segundo informou.
Sukhee Boonsang explicou ainda que a vacina não impede as elefantes fêmeas de ovular, mas evita que os óvulos sejam fertilizados.
No final de janeiro, a vacina foi administrada a três elefantes selvagens na província oriental de Trat, segundo informou, acrescentando que as autoridades estão agora a determinar em que áreas irão intervir e utilizar as 15 doses restantes.
A vacina pode prevenir a gravidez por sete anos e as elefantes poderão reproduzir-se novamente se não receberem doses de reforço após esse período.
Especialistas irão monitorizar as elefantes intervencionadas ao longo do período de sete anos.
A campanha de vacinação tem sido alvo de críticas, sendo vista como uma ameaça aos esforços de conservação.
A Tailândia tem uma tradição secular de usar elefantes domesticados na agricultura e no transporte. Os elefantes também são uma parte importante da identidade nacional da Tailândia — e foram oficialmente proclamados um símbolo da nação.
Sukhee Boonsang disse que o programa visa apenas elefantes selvagens em áreas com as taxas mais altas de conflitos violentos entre humanos e elefantes.
Estatísticas oficiais mostram que a taxa de natalidade de elefantes selvagens nessas regiões é de aproximadamente 8,2% ao ano, mais do que o dobro da média nacional de cerca de 3,5%. Cerca de 800 dos aproximadamente 4.400 elefantes selvagens do país vivem nessas áreas propensas a conflitos, segundo o responsável.
“Se não tomarmos medidas, o impacto sobre as pessoas que vivem nessas áreas continuará a crescer até se tornar incontrolável”, acrescentou.
Além da vacina contracetiva, as autoridades tailandesas implementaram outras medidas para reduzir o conflito, como a criação de fontes adicionais de água e alimentos nas florestas onde os elefantes vivem, construção de cercas de proteção e envio de guardas florestais para guiar os elefantes que se desviam para áreas residenciais de volta à natureza.
Uma operação ordenada por um tribunal no início deste mês para remover elefantes selvagens que entraram repetidamente em conflito com os habitantes locais na província de Khon Kaen, no nordeste do país, provocou protestos públicos devido à morte de um elefante durante o processo de realocação.
Uma autópsia inicial revelou que o animal tinha morrido por asfixia em resultado da administração de anestesia antes da mudança, revelaram as autoridades.



