Os portugueses iniciam 2026 com uma postura marcada pela prudência, mas sem abdicar totalmente da esperança num ano melhor. De acordo com a mais recente sondagem da Gallup International Association (GIA), realizada em Portugal pela Intercampus, 40% dos inquiridos acredita que 2026 será melhor do que 2025, enquanto 30% antecipa um agravamento da situação e 27% espera um ano semelhante ao anterior. O estudo foi conduzido em 60 países, permitindo uma leitura comparativa à escala europeia e global.
Os resultados colocam Portugal próximo da média da Europa Ocidental, onde 29% dos cidadãos acredita que 2026 será melhor do que 2025 e 27% espera um ano pior. A principal diferença surge na percentagem de portugueses que antecipa um cenário de melhoria, ligeiramente superior à média europeia.
À escala global, as expectativas seguem uma tendência semelhante, com 37% dos inquiridos a prever um ano melhor e 25% a antecipar um agravamento, valores que aproximam Portugal da média mundial.
Quando a análise se centra na situação económica, o otimismo torna-se mais contido. Apenas 27% dos portugueses acredita que 2026 será um ano de prosperidade económica, enquanto 42% antecipa dificuldades e 29% considera que a situação se manterá semelhante à de 2025. Este sentimento reflete um contexto recente marcado pela subida da inflação, pela perda de poder de compra das famílias e pela persistência de taxas de juro elevadas.
Na Europa Ocidental, o pessimismo económico é ainda mais acentuado, com apenas 13% dos cidadãos a esperar prosperidade económica e quase metade a antecipar dificuldades. A nível global, 24% prevê um ano de prosperidade e 40% antecipa dificuldades económicas, valores muito próximos dos registados em Portugal.
Instabilidade internacional preocupa portugueses
A instabilidade internacional surge igualmente como uma das principais preocupações. Em Portugal, 44% dos inquiridos considera que o mundo será mais conturbado em 2026, enquanto 35% acredita num cenário mais pacífico e 19% espera que a situação se mantenha semelhante à de 2025.
Na Europa Ocidental, esta perceção é ainda mais negativa, com 55% dos cidadãos a antecipar um agravamento da instabilidade global e apenas 14% a esperar maior paz. À escala mundial, 40% dos inquiridos prevê um cenário internacional mais conturbado e 26% acredita numa evolução positiva.
Para António Salvador, diretor-geral da Intercampus, os resultados refletem “um país que entra em 2026 com uma atitude prudente, mas sem perder completamente a esperança”. O responsável sublinha que os portugueses acompanham a tendência europeia nas preocupações económicas e geopolíticas, mas mantêm uma expectativa positiva ligeiramente superior, sobretudo entre os mais jovens, o que demonstra capacidade de adaptação num contexto internacional marcado pela incerteza.
A nível global, o estudo evidencia contrastes claros entre regiões. As expectativas mais positivas concentram-se sobretudo no Sul Global, com países como Quénia, Arábia Saudita, África do Sul, Colômbia e Paquistão a registarem níveis elevados de esperança em relação a 2026. Em sentido oposto, vários países da Europa Ocidental e de Leste, como Bélgica, França, Alemanha, Áustria e Bulgária, surgem entre os mais pessimistas, tanto no plano económico como na estabilidade internacional.
A análise sociodemográfica revela ainda que os inquiridos com menos de 34 anos tendem a apresentar níveis mais elevados de otimismo, enquanto as faixas etárias acima dos 55 anos demonstram maior preocupação com a economia e com a paz mundial. As diferenças entre homens e mulheres são pouco significativas, mas o nível de rendimento assume um papel determinante, com expectativas mais positivas a surgirem com maior frequência em países de rendimentos mais baixos.
No conjunto das três dimensões analisadas — expectativas para 2026, situação económica e estabilidade global — os dados indicam que Portugal inicia o novo ano atento aos riscos, alinhado com a média global e afastado do pessimismo mais acentuado observado em várias economias europeias.













