Sondagem: Após o frente-a-frente, Ventura recupera terreno mas Seguro mantém larga vantagem

Este é o primeiro dia em que os resultados já refletem, ainda que de forma parcial, o impacto do grande debate televisivo entre os dois finalistas.

Executive Digest
Janeiro 29, 2026
19:37

António José Seguro continua destacado na corrida presidencial, mas André Ventura conseguiu reduzir ligeiramente a diferença depois do grande debate da segunda volta. Os dados são da tracking poll diária da Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, JN e TSF, que já reflete, ainda que de forma marginal, o impacto do frente a frente entre os dois candidatos.

Seguro surge agora com 59% das intenções de voto diretas, descendo pela primeira vez abaixo da fasquia dos 60%. Ventura sobe para 28%. A diferença entre ambos diminuiu 4,7 pontos percentuais, mas o candidato apoiado pelo PS mantém uma vantagem robusta.

Os indecisos representam 7,2% dos inquiridos e 5,8% admitem votar em branco ou nulo. Os resultados são apresentados sem redistribuição de indecisos, uma vez que, com apenas dois candidatos, qualquer modelo de projeção poderia distorcer os valores. A margem de erro máxima é de 4,06%.

Eleitores cada vez mais firmes na decisão

A sondagem mostra um eleitorado cada vez mais convicto. Mais de 90% dos apoiantes de ambos os candidatos dizem que o seu voto está fechado. No caso de António José Seguro, o nível de firmeza é particularmente elevado: 97,3% garantem que não vão mudar de posição.

Entre os eleitores de André Ventura, há ainda uma pequena franja — 1,3% — que admite ser “muito provável” alterar o sentido de voto.

Embora ainda exista uma fatia relevante de eleitores que vota para impedir a vitória do adversário, cresce o peso do voto por convicção. No caso de Seguro, cerca de 60% dos seus eleitores dizem votar sobretudo a favor do candidato. Entre os apoiantes de Ventura, essa motivação ultrapassa já os 70%.

Quando questionados sobre o desfecho das eleições, a perceção é clara: cerca de 90% dos inquiridos acreditam que António José Seguro será o próximo Presidente da República. Apenas 10% antecipam uma vitória de André Ventura.

Os sentimentos que mais influenciam o voto são a responsabilidade e a estabilidade associadas aos candidatos. A motivação baseada na revolta até registou uma ligeira subida, mas continua a ter um peso reduzido face a fatores mais racionais e institucionais.

Diferenças por género, idade e região

Seguro mantém uma vantagem muito expressiva entre as mulheres, enquanto Ventura tem melhor desempenho entre os homens, embora também aí fique atrás do adversário.

A idade também marca diferenças. Quanto mais elevada a faixa etária, maior o apoio a Seguro. Entre os eleitores com mais de 55 anos, o candidato apoiado pelo PS reúne cerca de dois terços das intenções de voto. Ventura destaca-se mais no grupo entre os 35 e os 54 anos, onde atinge 37,2%.

Regionalmente, Seguro obtém o seu melhor resultado no Norte, a única região onde ultrapassa os 60%. Ventura regista a sua maior força no Centro, onde supera os 30%.

Ao nível das classes sociais, o padrão repete-se: Seguro tem maior expressão entre os estratos de rendimento mais elevados, enquanto Ventura apresenta maior penetração entre os eleitores com rendimentos mais baixos.

Seguro visto como mais preparado para gerir crises

Além das intenções de voto, a sondagem avaliou a perceção dos eleitores sobre a capacidade dos candidatos para lidar com situações críticas. António José Seguro é claramente apontado como o mais apto para enfrentar uma crise orçamental, um conflito prolongado com forças de segurança ou um caso político como o da Spinunviva. Nestes cenários, mais de 60% escolhem Seguro, enquanto Ventura ronda os 20%.

O mesmo acontece na política externa e de defesa. Perante a hipótese de pressão dos Estados Unidos para maior controlo da Base das Lajes, nos Açores, 65% consideram que Seguro defenderia melhor os interesses nacionais, contra 24% que preferem Ventura.

Ventura ganha terreno na mudança do sistema e na Saúde

As distâncias encurtam quando o tema é a pressão sobre o Governo para promover reformas. Na pergunta sobre quem estaria mais bem posicionado para forçar mudanças no sistema político, Seguro obtém 52% e Ventura 38%.

Na área da Saúde, o padrão é semelhante: 56% dos inquiridos consideram que Seguro seria o mais capaz de pressionar o executivo a responder aos problemas do setor, enquanto 31% escolhem Ventura.

Apesar da descida ligeira e da subida do adversário, António José Seguro continua a liderar de forma confortável tanto nas intenções de voto como na avaliação de competência para gerir crises. André Ventura mostra capacidade de crescimento em temas ligados à mudança e à Saúde, mas permanece a uma distância significativa na reta final da campanha.

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