A mais recente sondagem para eventuais eleições legislativas revela um encurtar significativo da distância entre os dois maiores partidos e uma subida expressiva do Chega, que se afirma como a força política com maior crescimento no mês de dezembro. A coligação AD mantém a liderança, mas perde terreno de forma acentuada, enquanto o PS reduz a diferença e o Chega volta a aproximar-se do segundo lugar.
De acordo com os dados recolhidos pela Pitagórica para a TVI e a CNN Portugal, a AD, liderada por Luís Montenegro, surge em primeiro lugar, com uma vantagem de 6,6 pontos percentuais sobre o PS, agora encabeçado por José Luís Carneiro. Apesar de continuar na frente, a coligação regista uma quebra expressiva: perde 8,8 pontos percentuais face a novembro e acumula uma descida de 4,2 pontos em comparação com outubro, mês fortemente influenciado pela dinâmica das eleições autárquicas.
O PS aparece em segundo lugar com 23,1% das intenções de voto. O partido regista um recuo de 3,3 pontos percentuais em relação ao mês anterior, um valor que fica abaixo da margem de erro da sondagem. Ainda assim, a queda mais acentuada da AD contribui para uma aproximação entre os dois maiores partidos.
Em novembro, a distância entre AD e PS era de 12,1 pontos percentuais. Em dezembro, essa diferença cai para 6,6 pontos percentuais, praticamente metade, num contexto marcado pela aproximação das eleições Presidenciais.
O maior destaque da sondagem vai para o Chega, que recolhe 22,6% das intenções de voto e apresenta a subida mais expressiva entre todas as forças políticas. O partido cresce 5,9 pontos percentuais face a novembro, ultrapassando mesmo o resultado registado em outubro.
Com esta evolução, o Chega reduz significativamente a distância para a AD, que passa a ser de 7,1 pontos percentuais, e volta a disputar de forma muito próxima o segundo lugar com o PS.
Apesar desta subida, não há alteração na hierarquia face às últimas eleições legislativas: o Chega ficou então em terceiro lugar, embora atualmente tenha mais deputados do que o PS na Assembleia da República, com 60 eleitos contra 58 dos socialistas.
Quebras da AD explicadas por idade, classe social e território
A análise por segmentos revela fragilidades adicionais para a AD. Entre os eleitores dos 25 aos 44 anos, a coligação perde para o Chega, enquanto no segmento com 65 ou mais anos fica atrás do PS.
É também nas classes sociais mais baixas que a AD enfrenta maiores dificuldades, surgindo 9,6 pontos percentuais atrás do Chega e 2,8 pontos atrás do PS.
No plano geográfico, o PS lidera na Grande Lisboa, com uma vantagem de 1,5 pontos percentuais. Já no resto do país — onde se incluem o Alentejo, o Algarve, o Oeste e as Ilhas — é o Chega que surge na frente.
Apesar das oscilações registadas, os três maiores partidos continuam a concentrar a maioria dos eleitores que votaram nas últimas legislativas. Ainda assim, é a AD que mais perde eleitores para o grupo dos indecisos, um factor que contribui para o estreitamento das distâncias no topo da tabela.
Entre os partidos de menor dimensão parlamentar, a sondagem revela uma surpresa: o Livre e a Iniciativa Liberal aparecem empatados no quarto lugar, ambos com 7,3% das intenções de voto.
O partido liderado por Rui Tavares sobe 1,6 pontos percentuais face a novembro, enquanto a Iniciativa Liberal, presidida por Mariana Leitão, regista uma subida superior, de dois pontos percentuais.
A CDU surge em sexto lugar, com 2,6% das intenções de voto, o que representa uma subida marginal de 0,2 pontos percentuais. Segue-se o Bloco de Esquerda, agora liderado por José Manuel Pureza, com 1,3%, uma subida de 0,6 pontos percentuais.
No final da tabela aparece o PAN, liderado por Inês de Sousa Real, com apenas 0,5% das intenções de voto, menos 0,4 pontos percentuais do que no mês anterior.














