O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, alertou esta sexta-feira à tarde para o agravamento das condições meteorológicas previstas para a madrugada de sábado, destacando o elevado risco de inundações, derrocadas e deslizamentos de terras em diversas regiões de Portugal Continental.
“Muito, muito cuidado e adotem todas as medidas preventivas para evitar maiores danos. É uma situação extremamente preocupante, atenção à chuva e ao vento previsto para a madrugada de sábado”, sublinhou o responsável durante a conferência de imprensa.
Segundo Mário Silvestre, os rios Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado apresentam um risco elevado de inundação. A barragem do Tejo, em Alcântara, Espanha, encontra-se com quotas de enchimento de 95%, o que poderá obrigar a descargas significativas. A Sorraia já transbordou na margem direita, afetando o município de Coruche, enquanto Alcácer do Sal, no Sado, enfrenta situação semelhante, podendo o cenário agravar-se com as chuvas previstas para sábado.
Por outro lado, os rios Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana apresentam risco ‘normal’ de inundação.
Planos de emergência ativados e operação em curso
Neste momento estão sete planos distritais de emergência ativos e 90 planos municipais de emergência e proteção civil em execução. Nos últimos seis dias, a Proteção Civil registou 7.942 ocorrências, envolvendo quase 28 mil operacionais, 11.092 meios terrestres e cinco meios aéreos que realizam vigilância em zonas críticas, antecipando possíveis problemas e preparando eventuais evacuações.
Mário Silvestre alertou ainda para movimento de massas, derrocadas e quedas de árvores, recomendando precaução, nomeadamente não estacionar junto a muros em zonas de declive e evitar circular em áreas de risco elevado.
Evacuações e situação das populações
A aldeia do Reguengo do Alviela sofreu uma evacuação total, sendo este apenas um exemplo de localidades afetadas. Até ao momento, 1.108 pessoas foram deslocadas das suas habitações. A rede elétrica encontra-se comprometida, com 93 mil clientes sem eletricidade, segundo a E-Redes.
Efeitos expectáveis e cuidados essenciais
Os efeitos do mau tempo incluem inundações rápidas, cheias em zonas urbanas e formação de lençóis de água, particularmente durante a noite, além de piso rodoviário escorregadio e queda de objetos. Lisboa e outras áreas urbanas estão especialmente em alerta devido ao potencial de inundações rápidas.
A Proteção Civil recomenda que, durante a condução, não se atravessem estradas inundadas e que se pare em locais elevados e seguros, evitando túneis e passagens inferiores. Para quem se encontra em casa, as medidas preventivas incluem:
- Fechar portas e janelas;
- Desligar gás e corrente elétrica, sempre com segurança;
- Manter-se nos andares superiores ou em pontos altos;
- Afastar equipamentos elétricos da água;
- Levar apenas o essencial em caso de evacuação;
- Seguir rotas seguras e acompanhar-se de medicamentos e identificação.
Os meios aéreos continuam a percorrer zonas críticas para monitorizar margens de rios e antecipar desbordamentos, preparando evacuações e prevenindo riscos para a população. As autoridades apelam a máxima atenção e cumprimento rigoroso das recomendações, considerando o agravamento do mau tempo ao longo do fim de semana.




