Um sinal com apenas 10 segundos de duração, proveniente de um dos pontos mais distantes do universo, foi detetado por satélites terrestres e está a intrigar a comunidade científica. A emissão terá tido origem a cerca de 13 mil milhões de anos-luz da Terra, quando o universo tinha apenas 730 milhões de anos, o que a torna uma das mais antigas explosões estelares alguma vez observadas.
De acordo com o ‘Daily Mail’, dois satélites confirmaram que o sinal corresponde a uma explosão de raios gama de alta energia, designada GRB 250314A, que poderá ter sido provocada pela supernova mais antiga já registada desde o início do cosmos.
Quanto maior é a distância de um objeto no espaço, mais tempo a sua luz demora a chegar à Terra. Por isso, observar fenómenos tão remotos equivale a olhar para o passado profundo do universo. Neste caso, os cientistas acreditam estar a observar uma explosão ocorrida quando o cosmos tinha apenas cerca de 5% da sua idade atual, estimada em aproximadamente 14 mil milhões de anos.
Os raios gama são a forma de radiação mais energética conhecida, invisível ao olho humano e produzida por eventos extremamente violentos, como o colapso de estrelas massivas. Embora capazes de atravessar o corpo humano e causar danos biológicos, os raios gama associados a esta explosão chegaram à Terra demasiado enfraquecidos para representar qualquer risco.
Uma supernova antiga… surpreendentemente semelhante às atuais
O que mais surpreende os investigadores é o facto de esta supernova primitiva apresentar características quase idênticas às explosões estelares observadas no universo moderno. Os cientistas esperavam que as primeiras estrelas fossem maiores, mais quentes e mais instáveis, gerando explosões muito mais voláteis do que as atualmente conhecidas.
Andrew Levan, autor principal de um estudo liderado pela Universidade Radboud, nos Países Baixos, sublinhou que “há apenas um punhado de explosões de raios gama detetadas, nos últimos 50 anos, no primeiro milhar de milhões de anos do universo”, descrevendo este evento como “muito raro e extremamente empolgante”, segundo o ‘Daily Mail’.
Deteção por satélites e confirmação pelo telescópio Webb
O sinal foi registado pela primeira vez a 14 de março de 2025 pelo satélite Space Variable Objects Monitor (SVOM), um projeto conjunto de França e da China concebido para identificar explosões de alta energia no espaço profundo. A emissão destacou-se claramente do ruído de fundo do cosmos, surgindo como um feixe intenso e focado de raios gama.
Cerca de três meses e meio depois, durante o verão de 2025, o Telescópio Espacial James Webb (JWST) confirmou a descoberta, ao captar imagens e medições detalhadas do brilho residual da explosão. “Só o Webb poderia mostrar diretamente que esta luz vem de uma supernova — uma estrela massiva em colapso”, explicou Andrew Levan.
Um período ainda pouco conhecido da história cósmica
Os cientistas admitem saber muito pouco sobre o primeiro milhar de milhões de anos do universo, nomeadamente sobre o nascimento, a evolução e a morte das primeiras estrelas. Durante décadas, acreditou-se que essas estrelas primitivas tinham vidas muito curtas e continham menos elementos do que estrelas como o Sol.
No entanto, estudos publicados em dezembro de 2025 na revista ‘Astronomy & Astrophysics’, com base em observações do Webb, revelaram que esta supernova, ocorrida apenas 730 milhões de anos após o Big Bang, apresenta o mesmo brilho e assinatura de radiação de supernovas observadas milhares de milhões de anos depois. Para Nial Tanvir, professor da Universidade de Leicester, “o Webb mostrou que esta supernova é exatamente igual às supernovas modernas”.














