O fenómeno climático El Niño, conhecido há séculos, está a tornar-se mais frequente e intenso devido ao aquecimento global provocado pela atividade humana. O aumento da temperatura média da atmosfera e dos oceanos cria condições propícias a episódios cada vez mais extremos, com impactos significativos à escala global.
De acordo com o ‘El Economista’, o agravamento deste fenómeno está diretamente ligado ao facto de o sistema climático já partir de uma base mais quente do que o normal, o que potencia alterações mais violentas nos padrões de precipitação e temperatura associados ao ciclo ENSO (El Niño–Oscilação Sul).
Os efeitos do El Niño não são uniformes em todo o mundo. Em algumas regiões, o fenómeno traduz-se em episódios de precipitação extrema, enquanto noutras provoca secas prolongadas e ondas de calor severas. Na costa da América do Sul, o aquecimento anómalo das águas do Pacífico conduz frequentemente a chuvas torrenciais, que resultam no transbordo de rios, deslizamentos de terras e na destruição de habitações e infraestruturas rodoviárias.
Segundo o ‘El Economista’, estes episódios têm consequências sociais e económicas profundas, afetando comunidades inteiras e exigindo respostas de emergência por parte das autoridades locais.
Secas, incêndios e perda de biodiversidade
Em contraste, regiões como a Austrália, a Indonésia e partes da Amazónia enfrentam o efeito oposto. As secas extremas e as temperaturas elevadas criam condições ideais para incêndios florestais de grandes dimensões, com impactos devastadores na biodiversidade e um aumento significativo das emissões de dióxido de carbono, agravando o ciclo das alterações climáticas.
Este efeito de retroalimentação preocupa a comunidade científica, uma vez que os incêndios não só destroem ecossistemas como contribuem para acelerar o aquecimento global.
Europa sob observação científica
Na Europa, o impacto direto do ciclo ENSO continua a ser objeto de debate entre especialistas. Alguns cientistas questionam a relação causal direta entre El Niño e determinados eventos extremos no continente. Ainda assim, um número crescente de meteorologistas tem identificado padrões recorrentes associados ao fenómeno, como invernos mais húmidos no sul da Europa ou alterações na circulação atmosférica.
As projeções apontam para uma intensificação destes padrões ao longo dos próximos anos, à medida que o aquecimento global continua a alterar o equilíbrio climático do planeta.













