“Simples infeção voltará a ser fatal”: há um gene que torna as bactérias invencíveis a espalhar-se pelo mundo e a deixar os cientistas em alerta

De acordo com o estudo, publicado na revista científica ‘Nature Communications’, este gene praticamente desconhecido está a espalhar-se por hospitais e explorações agrícolas

Francisco Laranjeira
Julho 20, 2025
9:30

Um gene chamado npmA2, capaz de dar a bactérias perigosas uma resistência completa a antibióticos vitais quando não há alternativa, está a espalhar-se pelo mundo, alertou um estudo publicado por uma equipa internacional de cientistas liderada pela Universidade Complutense de Madrid, apontou o jornal espanhol ‘El Economista’.

“O npmA2 é como um fantasma: quase ninguém sabia da sua existência e, no entanto, sem fazer alarido, começou a aparecer em diferentes partes do mundo e em bactérias que já são difíceis de controlar”, explicou Bruno González-Zorn, professor do Departamento de Saúde Animal da Universidade Complutense de Madrid e diretor do estudo.

De acordo com o estudo, publicado na revista científica ‘Nature Communications’, este gene praticamente desconhecido está a espalhar-se por hospitais e explorações agrícolas, gerando “superbactérias” impossíveis de tratar. Especificamente, os investigadores detetaram-no em variantes de seis países e em amostras humanas, animais e ambientais, confirmando a sua disseminação global.

Para o estudo, os especialistas analisaram quase dois milhões de amostras bacterianas, confirmando que este gene atua como um “passaporte genético” que viaja num fragmento móvel, atuando como um ‘cavalo de Troia’, e incorpora-se em várias bactérias que já representam um risco.

Por exemplo, os cientistas detetaram o gene na bactéria ‘Clostridioides difficile’, que causa infeções intestinais graves, e no ‘Enterococcus faecium’, que causa infeções hospitalares com uma taxa de mortalidade de 30% em Espanha. “O gene npmA2 torna estas infeções praticamente incuráveis”, apontou Carlos Serna, coautor do estudo.

Os autores sublinharam que a investigação sobre novas estratégias para combater as infeções e monitorizar o uso de antibióticos é agora mais urgente do que nunca. “Se não agirmos agora, caminhamos para uma era em que uma simples infeção voltará a ser fatal”, alertou González-Zorn.

Juntamente com a Universidade Complutense de Madrid, participaram neste estudo cientistas do Instituto Welcome Sanger, em Cambridge (Reino Unido), do Instituto Pasteur, em Paris (França), e centros de investigação nos Países Baixos e na Austrália.

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