Grupos de extrema-esquerda na Alemanha anunciaram uma nova frente de ações violentas, agora direcionadas contra zonas residenciais exclusivas, levantando forte preocupação entre as autoridades de segurança do Estado. O primeiro ataque já ocorreu em Berlim, no bairro de Grunewald, uma das áreas mais nobres da capital.
Segundo o jornal Die Welt, os militantes seguem o lema “Follow the money” (“Sigam o dinheiro”), assumindo como alvos principais três perfis: pessoas ricas, indivíduos ou empresas acusadas de destruir o ambiente e figuras anti-imigração. Os panfletos que circulam entre os grupos radicais deixam claro que, para eles, estas características podem coexistir na mesma pessoa, justificando ações diretas contra as suas propriedades.
Nos textos de propaganda, os extremistas descrevem um mundo em que “os ricos são os principais culpados pela injustiça social e pela destruição ambiental”. Alegam ainda que os mais abastados “incitam a população com passaporte alemão contra os migrantes” e, dessa forma, alimentam a xenofobia. Para os radicais, esses grupos não podem ser influenciados por “apelos, persuasão ou simples informação”, e por isso o ataque direto às suas casas é visto como legítimo.
As mensagens não escondem a intenção de causar “perturbações constantes” nos bairros de luxo. “Podemos invadir o espaço onde vivem enquanto contam mentalmente os seus dólares, euros, rublos, bitcoins ou barras de ouro. E podemos desaparecer sem sermos vistos na floresta, com os javalis na calada da noite”, refere um dos panfletos, sublinhando a estratégia de intimidação e clandestinidade.
O primeiro ataque reivindicado ilustra essa nova escalada. Em Grunewald, militantes incendiaram um transformador elétrico que abastecia o bairro e danificaram uma antena de rádio utilizada por operadoras de telecomunicações e pela própria rede de comunicação da polícia. O ato foi reclamado na revista de extrema-esquerda Autonomous Blättchen, onde os autores ironizaram ao descrevê-lo como um “passeio noturno militante pelo bairro de Grunewald”.
A crescente ameaça está a gerar alarme nas forças de segurança. Um funcionário da segurança do Estado, citado pelo jornal Bild, sublinhou a gravidade da situação: “Levamos estas ameaças muito a sério. O cenário extremista de esquerda está a radicalizar-se cada vez mais, propagando a luta de classes, e tudo gira em torno de fantasias de redistribuição e expropriação violenta”.
Esta nova vaga de ataques representa uma mudança de foco: de empresas e instituições governamentais, alvos habituais da extrema-esquerda militante, para zonas residenciais e propriedades privadas, aumentando o risco de confrontos diretos com civis e ampliando o clima de insegurança em bairros até agora considerados intocáveis.













