Shein vai ser ouvida no Parlamento Europeu após pressão dos eurodeputados

A Shein, gigante do ultra fast fashion, vai comparecer numa audição no Parlamento Europeu para prestar esclarecimentos sobre as suas práticas comerciais, depois de semanas de pressão por parte de eurodeputados preocupados com o impacto da plataforma no mercado europeu, no ambiente e no cumprimento da legislação comunitária.

Pedro Gonçalves
Janeiro 14, 2026
13:35

A Shein, gigante do ultra fast fashion, vai comparecer numa audição no Parlamento Europeu para prestar esclarecimentos sobre as suas práticas comerciais, depois de semanas de pressão por parte de eurodeputados preocupados com o impacto da plataforma no mercado europeu, no ambiente e no cumprimento da legislação comunitária.

A audição está marcada para o dia 27 de Janeiro e decorrerá na Comissão do Mercado Interno e da Protecção dos Consumidores (IMCO), confirmou fonte parlamentar. A empresa será representada por Yinan Zhu, responsável pelo Business Integrity Group da Shein para a Grande Europa.

A pressão política sobre a plataforma tem vindo a intensificar-se devido à crescente entrada de encomendas de baixo valor no espaço europeu, às suspeitas de violações da legislação da União Europeia e ao impacto ambiental do seu modelo de negócio. As preocupações agravaram-se após a empresa ter sido apanhada a vender, em França, bonecas sexuais com aparência infantil, o que gerou forte indignação política e pública.

A Comissão do Mercado Interno do Parlamento Europeu tentava há várias semanas garantir a presença da Shein numa audição formal, sem sucesso, até que foi finalmente definida uma data para o encontro com os eurodeputados.

Comissão do mercado interno quer escrutinar a empresa
A presidente da comissão, a eurodeputada alemã dos Verdes Anna Cavazzini, confirmou que a audição foi marcada após várias tentativas de contacto com a empresa. “A Shein responde finalmente aos legisladores europeus e vai comparecer perante a Comissão IMCO, depois de várias trocas de emails”, afirmou.

Segundo uma carta enviada por Yinan Zhu e a que os eurodeputados tiveram acesso, o responsável da Shein confirmou a sua presença na audição e solicitou ainda uma reunião separada com a presidente da comissão, com o objectivo de discutir de forma mais aprofundada as medidas que a empresa diz estar a implementar para responder às preocupações levantadas pelos decisores políticos europeus.

Direito de escrutínio após recentes polémicas
Anna Cavazzini sublinhou que a audição permitirá um escrutínio mais rigoroso tanto da actuação da empresa como da resposta das instituições europeias. “Os eurodeputados podem finalmente exercer o seu direito de escrutinar de perto os esforços de fiscalização da Comissão Europeia e a conduta de grandes plataformas de comércio online, à luz dos recentes escândalos envolvendo a Shein”, declarou.

A eurodeputada tem defendido um reforço da fiscalização sobre grandes plataformas digitais e de comércio eletrónico, sobretudo no contexto da aplicação das novas regras europeias sobre mercados digitais, proteção dos consumidores e sustentabilidade.

Em reação à confirmação da audição, um porta-voz da empresa afirmou que a Shein pretende colaborar com o Parlamento Europeu. “Temos a intenção de participar na reunião da Comissão IMCO no dia 27 de Janeiro e aguardamos com expectativa uma troca construtiva com os membros sobre o desafio transversal ao sector de garantir a segurança e a protecção dos consumidores no ambiente online”, afirmou Martin Reidy, em nome da empresa.

A audição surge num momento de crescente escrutínio europeu sobre plataformas de comércio electrónico de grande escala, num contexto em que Bruxelas procura reforçar o controlo sobre práticas comerciais, cadeias de abastecimento e o impacto ambiental da indústria da moda rápida.

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