A China está a reforçar o seu controlo sobre as exportações de terras raras, materiais essenciais para a produção de veículos elétricos (EV). A partir de 1 de dezembro, as empresas estrangeiras precisarão de licenças para exportar produtos que contenham mesmo quantidades mínimas de elementos como neodímio, disprósio e praseodímio — fundamentais para ímanes de motores, baterias e sistemas de controlo de EV.
Esta medida afeta diretamente fabricantes ocidentais, incluindo empresas como a Tesla, que dependem de fornecimentos chineses para componentes críticos.
A China, que domina mais de 90% da produção global de ímanes de terras raras, justifica a decisão com preocupações de segurança nacional, especialmente em relação a aplicações militares e tecnológicas sensíveis. No entanto, a expansão das restrições coincide com a aproximação de uma cimeira entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, sugerindo uma estratégia de pressão antes de negociações diplomáticas.
A resposta internacional tem sido forte. Os EUA acusam Pequim de manipular cadeias de abastecimento e ameaçam impor tarifas de 100% sobre produtos chineses a partir de 1 de novembro. A indústria automóvel europeia também expressa preocupação, com fabricantes a relatar escassez de stocks e receios de aumentos de custos e atrasos na produção. Algumas empresas já estão a procurar alternativas, como a ePropelled e a Northrop Grumman, que estão a garantir fornecimentos alternativos e a estabelecer parcerias para produção doméstica.
Apesar das tensões, Pequim assegura que as exportações legítimas para uso civil continuarão a ser autorizadas, desde que cumpram os novos requisitos. No entanto, a incerteza sobre a aplicação e os potenciais atrasos nas licenças criam um ambiente de instabilidade para os fabricantes de EV.
A situação destaca a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento globais face ao domínio chinês nas matérias-primas estratégicas. Os especialistas alertaram que a dependência excessiva de um único fornecedor pode ser arriscada, especialmente em setores tão críticos como a mobilidade elétrica e a tecnologia avançada.














