Seis mortos, mais de 4 mil ocorrências, milhares sem luz e telecomunicações: Depressão Kristin deixa rasto de destruição

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental deixou um balanço devastador, com seis vítimas mortais confirmadas, mais de quatro mil ocorrências registadas e prejuízos materiais que ascendem a milhões de euros.

Pedro Gonçalves
Janeiro 29, 2026
9:57

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental deixou um balanço devastador, com seis vítimas mortais confirmadas, mais de quatro mil ocorrências registadas e prejuízos materiais que ascendem a milhões de euros. O temporal, marcado por vento extremo e precipitação intensa, provocou danos significativos em habitações, infraestruturas, indústria, rede elétrica e comunicações, afetando sobretudo os distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa.

Entre as vítimas mortais está Ricardo Teodósio, de 38 anos, que morreu em Carvide, no concelho de Leiria, quando tentava, juntamente com o pai, proteger um anexo da moradia da família. Uma forte rajada de vento projetou ambos, tendo Ricardo sido atingido por um painel sanduíche, com morte imediata. O pai ficou ferido e foi transportado para o Hospital de Leiria. Uma vizinha descreveu momentos de grande aflição, relatando que “o pai só pedia para socorrer o filho, nem sentia os ferimentos que tinha”.

Ainda no distrito de Leiria, registaram-se outras mortes associadas ao temporal: uma pessoa ficou presa numa estrutura de uma habitação e acabou por morrer, e um homem de 56 anos foi encontrado em paragem cardíaca junto a um parque fotovoltaico em Fonte Oleiro, no concelho de Porto de Mós, presumivelmente após ter sido atingido por uma estrutura metálica. As restantes vítimas mortais foram registadas em Povos, no concelho de Vila Franca de Xira, em Algoz, no concelho de Silves, onde uma mulher de 85 anos morreu depois de o carro em que seguia ter sido arrastado por um ribeiro, e em Vieira de Leiria, na Marinha Grande, onde morreu um homem de 34 anos.

O impacto da depressão fez-se sentir em todo o território continental. Cerca de um milhão de consumidores ficaram sem eletricidade durante a madrugada, sendo que ao final da tarde ainda havia quase meio milhão de clientes da E-Redes sem fornecimento de energia. Aproximadamente 300 mil pessoas enfrentaram falhas nas telecomunicações e várias famílias ficaram desalojadas. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil contabilizou mais de 5.400 ocorrências até ao final do dia, maioritariamente relacionadas com quedas de árvores, quedas de estruturas, deslizamentos de terras e inundações, mobilizando mais de 18 mil operacionais e cerca de seis mil viaturas.

A violência do vento foi confirmada por registos excecionais. Nuno Lopes, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, revelou que a estação da Força Aérea na Base de Monte Real registou rajadas de 176 km/h e 178 km/h antes de o equipamento ser destruído. “Depois deixou de registar, porque o aparelho ficou destruído”, explicou, admitindo que, a confirmar-se, poderá tratar-se da rajada mais forte alguma vez registada em Portugal, superando o máximo observado durante o furacão Leslie, em 2018.

Face à dimensão dos estragos, foram ativados dois planos distritais de emergência, em Coimbra e Castelo Branco, e 22 planos municipais. A Proteção Civil manteve o estado de prontidão especial de nível máximo em toda a faixa costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, com avisos meteorológicos vermelhos ao longo da costa. As autoridades sublinham que, apesar da diminuição de novas ocorrências, os trabalhos de limpeza, remoção de destroços e reposição de serviços essenciais irão prolongar-se, enquanto prossegue o levantamento completo dos danos causados pela depressão Kristin.

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