Nas últimas semanas, seis candidatos do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) morreram em diversas circunstâncias na véspera das eleições autárquicas na Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, com 18 milhões de habitantes.
A polícia germânica descartou qualquer evidência de crime em todos os casos, embora as mortes tenham forçado a reimpressão dos boletins de voto e forçado alguns eleitores a repetir os votos, indicou a ‘BBC’.
As mortes misteriosas levantaram questões e comentários nas redes sociais, apesar de o Ministério do Interior do estado sublinhar que outros partidos, como os Verdes e os Sociais-Democratas, também perderam candidatos nas últimas semanas – no total, quase 20 mil pessoas concorrem a cargos públicos nas eleições marcadas para 14 de setembro.
A situação deu origem a todo o tipo de teorias e especulações. O próprio partido AfD, que se tornou a segunda maior força política do país em fevereiro último e ainda é classificado como uma organização de extrema-direita pela agência de inteligência interna da Alemanha — apesar de este estatuto ser contestado judicialmente —, contribuiu para a disseminação de algumas hipóteses. Alice Weidel, co-presidente do partido, reforçou nas redes sociais a alegação de que o número de mortos é “estatisticamente quase impossível”.
Alguns líderes regionais da AfD, como Kay Gottschalk, apelaram à cautela e a uma investigação sem alimentar teorias da conspiração, demonstrando respeito pelas famílias dos falecidos. Segundo fontes policiais contactadas pela ‘DPA’, as primeiras quatro mortes foram de causas naturais ou a causa não foi divulgada por questões de privacidade; as duas restantes encontram-se em situação semelhante.
As eleições serão o primeiro teste na Alemanha Ocidental para a nova estratégia da AfD. Nas eleições estaduais de maio de 2022, a AfD obteve apenas 5,4% dos votos na região — tradicionalmente associada ao coração industrial do país —, mas alcançou 16,8% nas eleições federais deste ano. As sondagens preveem agora um forte crescimento do partido na região.
O partido, que conta com o apoio de sectores da direita americana e cujo discurso sobre a migração foi endossado por figuras como Elon Musk, está confiante na consolidação da sua expansão territorial. Musk, que já tinha apoiado a AfD no início deste ano, reiterou recentemente o seu apoio, afirmando que “se a Alemanha não votar na AfD, será o fim da Alemanha”.




