Seguro de vida pesa cada vez mais no crédito à habitação e muda escolhas das famílias

Dados de 2025 mostram uma mudança gradual no mercado, com o custo a ganhar protagonismo face ao nível de proteção

Executive Digest com ComparaJá.pt
Janeiro 26, 2026
7:45

O seguro de vida associado ao crédito à habitação está a assumir um peso crescente no orçamento das famílias, sobretudo a partir dos 35 anos, e começa a influenciar de forma clara as decisões entre coberturas mais abrangentes e opções mais económicas. Os dados de 2025 mostram uma mudança gradual no mercado, com o custo a ganhar protagonismo face ao nível de proteção.

Ao longo do ano, o seguro de vida com cobertura de Invalidez Total e Permanente (ITP) manteve-se como a opção dominante no crédito à habitação. A partir de março, representou sempre mais de 80% das novas contratações, atingindo máximos próximos de 87,5% em junho. No entanto, no final do ano, o seu peso recuou para cerca de 76,9%, sinalizando que o preço começou a condicionar as escolhas dos mutuários.

Em sentido inverso, a cobertura de Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD), tradicionalmente residual, ganhou algum espaço no último trimestre de 2025. Em outubro, chegou a representar cerca de um terço das novas apólices associadas a crédito habitação e terminou dezembro nos 23,1%. A subida reflete uma maior procura por soluções com prémios mais baixos, ainda que impliquem uma proteção mais limitada.

A diferença de custo entre as duas coberturas é consistente e significativa. Em quase todos os meses analisados, o seguro ITP apresentou prémios substancialmente mais elevados do que o IAD. Em dezembro, o prémio médio anual do ITP rondou os 1.146 euros, enquanto o IAD ficou próximo dos 833 euros, o que representa um encargo adicional de cerca de 313 euros por ano para quem opta pela cobertura mais abrangente.

A idade surge como um fator decisivo no agravamento da fatura. Os segurados com mais de 35 anos pagam, de forma sistemática, valores muito superiores aos dos mais jovens pelo mesmo tipo de seguro. Em março, o prémio médio acima dos 35 anos aproximou-se dos 1.755 euros, contra cerca de 851 euros para clientes com menos de 35 anos. Em dezembro, a diferença manteve-se acentuada, com valores médios de 1.707 euros para os mais velhos e 733 euros para os mais novos.

Já o ITP, apesar de mais caro, cobre um leque mais amplo de situações de invalidez total e permanente, exigindo, em regra, um grau de incapacidade inferior ao do IAD para garantir o pagamento do capital em dívida. Em créditos de longa duração, esta diferença pode ser determinante para assegurar que a habitação fica paga em caso de doença grave ou acidente incapacitante, evitando que o encargo recaia sobre a família.

O aumento do custo com a idade está também a levar cada vez mais mutuários a ponderar a transferência do seguro de vida para fora do banco. Ao contratar o seguro junto de seguradoras externas, mantendo as coberturas exigidas pela instituição financeira, é possível obter poupanças significativas. Estudos de mercado apontam para reduções que podem atingir 50% a 60% face aos seguros associados ao banco.

Num horizonte de 30 ou 40 anos de crédito, esta diferença traduz-se em poupanças acumuladas de vários milhares de euros, com impacto direto na taxa de esforço das famílias. Ainda assim, os especialistas alertam para a importância de comparar não apenas o preço, mas também cláusulas, exclusões e capitais seguros, para garantir que a poupança não compromete a proteção em caso de sinistro.

Para Pedro Castro, Head of Operations de Crédito Habitação no ComparaJá, o comportamento do mercado em 2025 confirma que o seguro de vida deixou de ser um detalhe acessório no crédito à habitação. “Quando olhamos para o que as famílias pagam ao longo de 30 ou 40 anos de crédito, o seguro de vida é uma das componentes mais penalizadoras, sobretudo a partir dos 35 anos”, afirma, sublinhando que pequenas diferenças no prémio anual podem transformar-se em milhares de euros ao longo do contrato.

“Num mercado ainda exigente, comparar é o que faz a diferença entre pagar apenas o necessário ou levar um custo extra durante décadas”, acrescenta Pedro Castro. Para o responsável, a escolha do seguro deve ser tão ponderada quanto a decisão sobre o tipo de taxa ou a instituição financeira, defendendo que “faz cada vez menos sentido aceitar automaticamente o seguro proposto pelo banco quando existem alternativas no mercado que permitem manter as mesmas coberturas com um custo muito mais ajustado ao orçamento das famílias”.

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