Esta estratégia de poupança no aquecimento pode não resultar – e até aumentar a fatura

Com a descida das temperaturas e a chegada do frio de Inverno, cada vez mais famílias ligam o aquecimento para manter o conforto térmico dentro de casa.

Pedro Gonçalves
Janeiro 11, 2026
19:00

Com a descida das temperaturas e a chegada do frio de Inverno, cada vez mais famílias ligam o aquecimento para manter o conforto térmico dentro de casa. Este cenário coincide com um contexto de aumento contínuo dos custos da energia, levando muitos agregados familiares a procurar soluções que permitam reduzir o consumo sem comprometer o bem-estar diário.

Entre as medidas mais comuns surge a chamada “redução nocturna” do aquecimento, que consiste em desligar ou baixar significativamente a temperatura durante a noite. À primeira vista, trata-se de um gesto simples e aparentemente lógico para poupar energia. No entanto, especialistas alertam que esta prática nem sempre produz os resultados esperados e, em determinados casos, pode até aumentar os custos.

Porque nem sempre desligar o aquecimento à noite resulta em poupança

A eficácia da redução noturna depende de vários fatores, nomeadamente do tipo de sistema de aquecimento, do nível de isolamento do edifício, da duração e intensidade da redução da temperatura e das condições climatéricas exteriores.

A principal explicação para os resultados contraditórios está relacionada com a inércia térmica dos edifícios e com o funcionamento dos equipamentos de aquecimento. Em casas bem isoladas e equipadas com sistemas de baixa temperatura, como bombas de calor ou aquecimento por piso radiante, as superfícies interiores demoram mais tempo a arrefecer, mas também necessitam de mais tempo e energia para voltar a aquecer.

Nestes casos, ao retomar o aquecimento de manhã, o sistema pode ser forçado a funcionar a uma potência mais elevada ou a activar resistências eléctricas auxiliares. O consumo adicional necessário para recuperar a temperatura perdida pode anular — ou até ultrapassar — a poupança obtida durante a noite, segundo alertas de especialistas em eficiência energética.

Quando a redução nocturna pode compensar

Em edifícios com fraco isolamento térmico, o cenário é diferente. O ar interior arrefece rapidamente quando o aquecimento é desligado, mas, por essa mesma razão, o processo de aquecimento também tende a ser mais rápido. Nestes casos, permitir que a temperatura desça durante a noite pode ser financeiramente mais vantajoso, já que o custo de voltar a aquecer a habitação é, regra geral, menos penalizador.

A conclusão é clara: não existe uma regra universal. Uma medida eficaz numa habitação pode ser contraproducente noutra, o que torna essencial avaliar cada caso de forma individual.

Factores a considerar antes de baixar o aquecimento à noite

Para perceber se a redução nocturna é uma boa opção, há vários elementos que devem ser ponderados:

  • Duração da redução: normalmente, a temperatura é reduzida durante o período de sono, por exemplo entre as 22h00 e as 06h00, embora este intervalo possa ser ajustado aos hábitos de cada família.
  • Profundidade da descida: não é aconselhável deixar a temperatura interior cair abaixo dos 16 °C, de forma a evitar riscos de condensação e o aparecimento de bolor em paredes mais frias.
  • Tipo de sistema de aquecimento: caldeiras convencionais e radiadores respondem rapidamente a variações de temperatura, enquanto bombas de calor e sistemas de aquecimento por piso radiante reagem de forma mais lenta.
  • Temperaturas exteriores: Invernos mais amenos reduzem o potencial de poupança, já que as habitações perdem calor mais lentamente. Edifícios bem isolados conservam melhor a temperatura, mas exigem mais energia para recuperar graus perdidos.

Como testar se a redução nocturna compensa em casa

Existe uma forma simples de avaliar se esta estratégia resulta numa poupança real. O teste passa por escolher uma noite com temperaturas exteriores próximas dos 0 °C e anotar a temperatura interior antes de ir dormir. De seguida, deve-se desligar ou reduzir o aquecimento durante a noite e voltar a medir a temperatura no dia seguinte, logo de manhã.

Se a diferença for pequena — cerca de 3 °C ou menos —, a redução nocturna tende a ser eficaz e pode traduzir-se em poupança energética. Se a queda for significativa, o custo de voltar a aquecer a casa poderá superar o benefício obtido durante a noite. A utilização de um higrómetro é igualmente recomendada para controlar os níveis de humidade e prevenir problemas de bolor.

Baixar o aquecimento durante a noite é uma estratégia acessível e, em determinadas circunstâncias, eficaz. Contudo, está longe de ser infalível. Aplicar o princípio de “desligar à noite” como regra geral pode conduzir a resultados indesejados, sobretudo em casas bem isoladas ou com sistemas de aquecimento de resposta lenta.

Antes de adoptar esta prática de forma permanente, é aconselhável medir, testar e conhecer bem o funcionamento da instalação doméstica. Em muitos casos, reduções moderadas da temperatura, em vez de cortes totais, permitem manter um nível mínimo de conforto e evitar que o custo de recuperar o calor perdido acabe por ser superior à poupança pretendida.

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