A sugestão de Elon Musk de comprar a Ryanair e colocar um “Ryan no comando da Ryanair” pode ter começado como uma provocação nas redes sociais, mas acabou por desencadear uma resposta mordaz da companhia aérea irlandesa, que lançou uma campanha promocional assumidamente provocatória. Apesar do tom humorístico, a hipótese de aquisição enfrenta obstáculos legais praticamente intransponíveis à luz das regras europeias.
De acordo com a ‘Euronews’, o episódio teve origem numa troca de mensagens na rede social ‘X’, quando Musk insinuou a possibilidade de adquirir a transportadora de baixo custo e entregar a liderança a alguém com o nome Ryan. A reação da Ryanair surgiu rapidamente, com o anúncio de uma campanha relâmpago intitulada “Great Idiots”, oferecendo 100 mil lugares a partir de 16,99 euros, só ida.
.@elonmusk pic.twitter.com/c0rHEiJrIz
— Ryanair (@Ryanair) January 20, 2026
Numa publicação na mesma plataforma, a companhia informou que o presidente executivo, Michael O’Leary, convocou uma conferência de imprensa em Dublin para comentar o que classificou como o mais recente “disparate” de Musk. No comunicado, O’Leary acusa o empresário americano de saber “ainda menos sobre as regras de propriedade de companhias aéreas do que sobre aerodinâmica”.
A mensagem promocional foi acompanhada por uma imagem em tom satírico, na qual se lê que Musk talvez precisasse de uma pausa, convidando-o — e a “outros idiotas no X” — a aproveitar a promoção antes que “o Musk fique com um” lugar. Noutra publicação, a Ryanair divulgou o link para a venda relâmpago, válida para viagens entre fevereiro e abril, recorrendo a ilustrações que caricaturam Michael O’Leary e Elon Musk, com referências visuais à Tesla e à SpaceX.
Don’t thank us, thank that big “IDIOT” @elonmusk 👀
Sale now on👇https://t.co/0c6IvsKyyB pic.twitter.com/JAxRNzaYTa
— Ryanair (@Ryanair) January 20, 2026
Segundo a ‘Euronews’, a troca de provocações intensificou-se depois de a equipa de redes sociais da Ryanair ter ironizado com uma falha no ‘X’, questionando se Musk precisava de Wi-Fi. O empresário respondeu durante o fim de semana com uma falsa proposta de aquisição, perguntando quanto custaria comprar a companhia e afirmando que seria “destino” da Ryanair pertencer a alguém chamado Ryan.
perhaps you need Wi-Fi @elonmusk? https://t.co/eq82qcLqKv
— Ryanair (@Ryanair) January 16, 2026
Um dos fundadores da transportadora foi Tony Ryan, empresário irlandês e antigo executivo da Aer Lingus, que teve um papel central na criação da Ryanair nos anos 1980. Embora tenha falecido em 2007, a sua família continua entre os principais acionistas da empresa, cujo controlo operacional permanece nas mãos de Michael O’Leary.
Musk chegou a lançar uma sondagem no ‘X’ a sugerir que a Ryanair fosse comprada para “devolver a Ryan o seu lugar de direito” e atacou diretamente O’Leary, chamando-lhe “idiota” e defendendo o seu despedimento. Em resposta, o CEO da Ryanair classificou Musk como um “idiota rico” e afirmou não prestar qualquer atenção ao empresário.
Apesar do tom jocoso da troca de mensagens, a possibilidade de Musk adquirir a Ryanair esbarra em regras claras da União Europeia. A legislação comunitária determina que as companhias aéreas que operam no espaço europeu sejam detidas em pelo menos 50% e efetivamente controladas por cidadãos da UE. Como cidadão americano, Musk estaria impedido de assumir uma posição de controlo sem uma alteração profunda da estrutura acionista da empresa, o que colocaria em risco as suas licenças de operação.
Este tipo de restrições já obrigou outras transportadoras a reestruturar a propriedade após o Brexit. Para a Ryanair, que opera centenas de rotas em todo o bloco, o controlo europeu é considerado inegociável. Ainda assim, a troca de farpas entre Musk e a companhia acumulou rapidamente milhões de visualizações, transformando o episódio num fenómeno mediático.















