Ryanair alerta que bilhetes comprados em agências online podem custar mais 176%. Saiba como evitar pagar a mais

A companhia aérea de baixo custo Ryanair denunciou esta quarta-feira práticas que considera “enganosas e prejudiciais” por parte de várias agências de viagens online (OTAs), acusando-as de cobrarem aos clientes valores muito superiores aos preços reais praticados pela empresa.

Pedro Gonçalves
Outubro 8, 2025
16:25

A companhia aérea de baixo custo Ryanair denunciou esta quarta-feira práticas que considera “enganosas e prejudiciais” por parte de várias agências de viagens online (OTAs), acusando-as de cobrarem aos clientes valores muito superiores aos preços reais praticados pela empresa. Segundo um novo relatório divulgado pela transportadora irlandesa, agências como eDreams, Tix e Vola estão a inflacionar tarifas e serviços adicionais em até 176%, afetando milhares de turistas em toda a Europa.

A investigação, tornada pública esta semana, mostra que estas plataformas cobram preços significativamente mais altos para serviços como a reserva de lugares, embarque prioritário e bagagem extra. “Apesar das evidências de prejuízo para os consumidores, muitos governos e autoridades de proteção europeias – especialmente o inútil ministro do Consumo de Espanha, Bustinduy – nada fazem para impedir estes abusos”, afirmou Dara Brady, diretor de marketing da Ryanair, citado pela empresa.

Relatório aponta eDreams como o maior infrator
De acordo com o estudo, a eDreams foi identificada como o “pior infrator”, cobrando 15,67 euros por um lugar reservado que na Ryanair custa apenas 5,67 euros – um aumento de 176%. A mesma plataforma também aplicou 27,07 euros pela adição de uma mala de 10 kg, mais do que o dobro do preço original de 12,99 euros praticado pela companhia aérea.

A Tix também foi destacada no relatório por vender lugares reservados a 17,50 euros e malas de 20 kg por 45,59 euros, o que representa aumentos de 67% e 40%, respetivamente. Já a Vola cobrou 25 euros por embarque prioritário e uma mala de 10 kg, enquanto a Ryanair cobra 17 euros e 16,99 euros para esses mesmos serviços – um sobrecusto de 47%.

Brady afirmou que estas práticas representam “custos adicionais evitáveis para os consumidores em toda a Europa”, e apelou à intervenção urgente das autoridades nacionais e comunitárias para travar o que descreve como “um esquema de sobrecarga generalizado”.

Críticas à falta de ação política
Na mesma nota, a Ryanair acusou os governos da União Europeia e as autoridades de defesa do consumidor de inação perante o problema. “Os governos da UE e as autoridades de proteção ao consumidor, incluindo o ministro do Consumo de Espanha, não tomaram qualquer medida para impedir estes sobrecustos, que continuam a prejudicar consumidores em toda a Espanha e na Europa”, reforçou Brady.

A transportadora defende que é fundamental “proteger turistas desavisados” e garantir transparência nas vendas de bilhetes e serviços adicionais.

Como evitar pagar mais nas reservas de voos
As agências de viagens online atraem frequentemente os clientes com tarifas iniciais aparentemente mais baratas do que as oferecidas diretamente pelas companhias aéreas. No entanto, segundo a Ryanair e outros estudos independentes, o preço final pode acabar por ser mais elevado após a inclusão de custos adicionais, como bagagem e escolha de assentos.

Uma análise realizada em 2023 pela organização de consumidores Which? comparou 28 reservas feitas com quatro companhias aéreas e quatro OTAs, concluindo que reservar através das agências online pode custar mais 115 euros em média do que comprar diretamente junto da transportadora.

Para evitar ser vítima de sobrecarga, a Ryanair aconselha os viajantes a verificar os preços diretamente no site oficial da companhia antes de efetuar qualquer pagamento e a consultar as listas de parceiros autorizados. Algumas transportadoras, como a easyJet, disponibilizam no seu site a lista de agregadores e sistemas de distribuição globais (GDS) aprovados, incluindo Duffel, Amadeus, Travelport, Peakwork e Kyte. Já a WizzAir anunciou recentemente uma parceria com a Travlefusion para “melhorar o acesso e a acessibilidade” dos seus voos na Europa.

Em qualquer caso, os especialistas recomendam comparar sempre o preço total final — incluindo todos os serviços adicionais — antes de concluir a compra.

DIRETO DE RESPOSTA eDreams
“Informamos que decisões judiciais recentes determinaram que as alegações feitas pela Ryanair são falsas e ilegais, sendo consideradas uma campanha de difamação ilegal:
• A 17 de julho de 2025, o Tribunal Comercial n.º 12 de Barcelona emitiu uma decisão contra a entidade registada na Irlanda Ryanair, D.A.C., declarando que esta tinha cometido um ato de concorrência desleal por difamação contra a eDreams.
• De forma fundamental, o Tribunal proíbe explicitamente a divulgação de alegações que argumentem que a eDreams “cobra preços excessivos” ou que prejudica os consumidores. A decisão do Tribunal determina expressamente que a Ryanair cesse e se abstenha de publicar manifestações (incluindo imagens) que afirmem ou sugiram que a eDreams “aplica margens ocultas, injustificadas ou abusivas, ou cobra preços excessivos/sobretaxas”, ou que a eDreams “engana, é fraudulenta ou é ‘pirata’”.
• Uma decisão anterior de junho de 2025 de um tribunal superior, o Tribunal de Recurso de Barcelona, indeferiu um recurso da Ryanair e concluiu que as suas alegações eram falsas e não constituíam uma campanha informativa legítima e baseada em factos.
• As decisões judiciais que consideram estas declarações falsas seguiram-se à análise de provas exaustivas num julgamento em que o tribunal concluiu que os preços da eDreams eram mais vantajosos ou mais baixos do que os preços praticados pela Ryanair no seu website, na maioria dos casos. À luz destes factos, o tribunal concluiu que as expressões ofensivas proferidas pela Ryanair não eram verídicas.”

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