Rússia recruta reservistas em massa para defender infraestruturas críticas dos ataques de drones ucranianos

A Rússia iniciou uma campanha de recrutamento em larga escala de reservistas para reforçar a defesa das suas infraestruturas críticas face aos ataques com drones provenientes da Ucrânia. De acordo com informações divulgadas esta terça-feira, várias entidades federais começaram a mobilizar cidadãos nas regiões mais próximas da fronteira, num esforço coordenado para proteger refinarias, centrais energéticas e outras instalações estratégicas.

Pedro Gonçalves
Novembro 11, 2025
14:13

A Rússia iniciou uma campanha de recrutamento em larga escala de reservistas para reforçar a defesa das suas infraestruturas críticas face aos ataques com drones provenientes da Ucrânia. De acordo com informações divulgadas esta terça-feira, várias entidades federais começaram a mobilizar cidadãos nas regiões mais próximas da fronteira, num esforço coordenado para proteger refinarias, centrais energéticas e outras instalações estratégicas.

O recrutamento surge na sequência da nova lei promulgada pelo presidente Vladimir Putin a 4 de novembro, que permite o uso de reservistas tanto em tempo de paz como em tempo de guerra — apesar de Moscovo não ter declarado oficialmente guerra à Ucrânia. O principal objetivo, segundo fontes do Ministério da Defesa, é “combater e derrubar drones ucranianos que ameacem ativos importantes do Estado russo”.

Durante o período de mobilização, os reservistas receberão o estatuto de militares, com acesso a benefícios sociais e remunerações semelhantes às das forças ativas. Os salários previstos variam entre 400 euros para os soldados rasos e 1.000 euros para oficiais, além de bonificações de assinatura que podem chegar aos 3.000 euros.

Mobilização em 19 regiões russas
A medida, que ainda não foi aplicada em Moscovo nem na região envolvente, já está em vigor em São Petersburgo e Leningrado, bem como em várias regiões ocidentais, incluindo Kaliningrado, Smolensk, Tula, Briansk, Pskov, Yaroslavl e Kursk. Outras áreas afetadas incluem Rostov, Chuváchia e Tatarstão, na parte europeia do país, e Tiumén e Krasnoiarsk, na Sibéria. No total, 19 entidades federais russas estão a implementar o recrutamento.

Segundo o Ministério da Defesa russo, os reservistas serão destacados apenas para tarefas defensivas nas suas regiões de origem. Contudo, a lei recentemente aprovada permite que as autoridades os mobilizem para o front, se necessário.

Defesa contra sabotagem e evacuação de civis
Nas regiões fronteiriças de Belgorod, Briansk e Kursk, as unidades BARS (Reserva do Exército Nacional, na sigla russa), criadas em 2024, já desempenham funções de proteção de infraestruturas estratégicas. Está previsto o reforço destas unidades e a criação de novas formações para impedir atividades de sabotagem, apoiar evacuações civis e participar em operações antiterroristas.

Estas zonas são consideradas particularmente sensíveis devido à proximidade da linha da frente e aos incidentes registados no último ano. A cidade de Kursk, por exemplo, chegou a ser parcialmente ocupada entre agosto de 2024 e março de 2025 por forças ucranianas e por grupos de voluntários russos anti-Putin.

Em Tatarstão, o recrutamento iniciou-se no final de outubro, centrando-se na proteção das instalações petrolíferas de Kazã e Nizhnekamsk. Já em Bashkortostão, os reservistas foram destacados para proteger centrais energéticas e fábricas petroquímicas.

Nos últimos meses, os drones tornaram-se uma peça essencial da ofensiva ucraniana, atingindo repetidamente bases militares e infraestrutura energética em território russo. Uma das operações mais significativas, batizada de “Telaraña” (teia de aranha), conseguiu atingir múltiplos alvos em diferentes regiões, longe da linha de combate.

Contudo, as refinarias de petróleo continuam a ser o principal ponto de vulnerabilidade do país. Os ataques forçaram a Rússia — que possui as segundas maiores reservas de crude do mundo — a importar combustível de outros países e a misturar gasolina com etanol e outros produtos químicos para aumentar o seu índice de octanas.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.