23 de fevereiro de 1917: a Rússia enfrentava uma convulsão sem precedentes que visou derrubar a monarquia autocrática imperial, chefiada pelo czar. A ‘Revolução de fevereiro (ou março) – iniciada com a revolta de 8 a 12 de março (ou seja, 23 a 27 de fevereiro no calendário juliano, então em uso na Rússia) – foi um processo revolucionário que teve como causas a insatisfação popular com a autocracia czarista e com a participação do país na Grande Guerra Mundial.
Cerca de 105 anos depois, Putin ultimava os preparativos para a invasão da Ucrânia.
A falta de preparação da Rússia para as exigências da guerra moderna, ilustrada pelos desaires e dificuldades do exército nas campanhas da I Guerra Mundial, foi a ‘gota de água’, um desastre bem aproveitado pelos descontentes para lançar críticas ao poder. O czar era igualmente censurado por todos os partidos que o acusam de apoiar um Governo incompetente e corrupto; acusam-no ainda de dar cobertura aos abusos pessoais dos grandes favoritos do Império; acima de todos está o “homem santo”, o homem mais temido da Rússia, o lendário Grigori Iefimovitch “Rasputine”. A influência que exercia na família real fez dele o verdadeiro governante do império; mas um governante tirânico que todos os russos desejavam ver cair.
Os motivos distantes do processo revolucionário podem descobrir-se nas reformas empreendidas pelo czar Alexandre II (1818-1881); a constituição de Governos regionais foi vista como o embrião de um futuro Governo (regime) de base parlamentar; a liberalização de certas profissões estimulou a ideia de uma legislação à escala nacional; o fim da servidão estimulou o desejo de uma ampla reforma agrária; as suas reformas educativas, por fim, abriram escolas e universidades a uma juventude das classes não privilegiadas, formando um grupo de jovens radicais revolucionários, que não descartavam o uso da violência como arma para impor os seus pontos de vista.
A crise social, económica e política era um prenúncio de que o absolutismo russo estava a chegar ao seu fim.
A 23 de fevereiro de 1917, foi convocada uma manifestação em Petrograd (atual São Petersburgo) para festejar o Dia Internacional da Mulher; esta manifestação, no entanto, rapidamente se transformou num motim; num motim contra a falta de alimentos, sobretudo de pão. A ele aderiram vários regimentos amotinados e, na sua sequência, o poder ficou nas mãos de um governo provisório formado por figuras de primeiro plano da Duma (Parlamento russo).
Isolado e sem apoio, o czar Nicolau II viu-se obrigado a abdicar. O seu filho primogénito foi excluído da sucessão ao trono devido à sua saúde bastante frágil e o seu irmão, o grão-duque Miguel, virá a recusar a coroa que lhe será oferecida por uma assembleia constituinte, democraticamente eleita; a dinastia Romanov, com 300 anos, chegou dessa forma ao fim.
Em outubro de 1917, os bolcheviques realizaram a tomada do Palácio de Inverno, e aconteceu a Revolução Russa, de facto, tendo Lenine como primeiro governante.





