Entre 2011 e 2019, quase um milhão de pessoas saiu de Portugal para viver e trabalhar noutro países. Deste total, quatro em cada dez saíram de forma permanente, ou seja, por um período igual ou superior a um ano. Só em 2019, 77 mil pessoas emigraram.
Os dados são apresentados pela Pordata no âmbito do Dia Internacional das Migrações, que se assinala hoje, dia 18. De acordo com o projecto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, o número de emigrantes temporários foi inferior: quase 49 mil pessoas deixaram o país por menos de um ano, em 2019.
Isto considerando que Portugal contava, no ano passado, com um total de 10.295.909 residentes (estimativas de 31 de Dezembro de 2019).

E quem emigra? Os homens continuam a aparecer em maior número na análise à emigração nacional, uma vez que representam, genericamente, dois terços do total de pessoas que deixam o País por mais de um ano. Em termos de idade, a Pordata indica que, ao contrário da tendência verificada nos anos anteriores, desde 2013 que aproximadamente metade dos emigrantes permanentes tem 30 ou mais anos (com excepção de 2019).
Entre 2008 e 2010, por outro lado, 71,7% dos emigrantes permanentes tinha menos de 30 anos. A tendência foi mudando de direcção a partir daí até que, no ano passado, este grupo etário voltou a liderar: 52% com menos de 30 anos e 48% com 30 ou mais anos.
Imigração apresenta trajectória inversa
Por outro lado, quando o assunto é imigração permanente, ou seja, pessoas que entram no País com intenção de aqui permanecer por um período igual ou superior a um ano, o retrato é diferente. A Pordata indica que entraram cerca de 73 mil pessoas em Portugal, em 2019, mais 40 mil do que em em 2009. Deste total, mais de metade é do sexo feminino.
Quando à idade, desde 2014 que mais de metade dos imigrantes permanentes que entram em Portugal têm 30 ou mais anos. Antes disso, verifica-se uma predominância por parte dos cidadãos com menos de 30 anos.
Ainda sobre imigração, a Pordata revela que, entre 2009 e 2018, mais de um terço dos imigrantes tinha naturalidade portuguesa. Os imigrantes têm sido maioritariamente de naturalidade estrangeira, excepto entre 2010 e 2013.
Além disso, no ano passado, um em cada oito bebés nascidos de mães residentes em Portugal era filho de mãe com nacionalidade estrangeira. Do total de 86.579 nascimentos registados, 75.895 contam com mãe portuguesa e 10.683 com mãe de nacionalidade estrangeira.
Número de nepaleses em Portugal foi o que mais cresceu
No ano passado, Portugal registou cerca de 590 mil cidadãos estrangeiros com estatuto legal de residente (mais 111.504 do que em 2018). Quase um em cada quatro é brasileiro, sendo esta a nacionalidade que mais se destaca. Seguem-se os cabo-verdianos, britânicos, romenos e ucranianos.

Ao longo da última década, as comunidades estrangeiras que mais cresceram por cá, em termos relativos, foram os nepaleses (25 vezes mais, embora o total de cidadãos desta nacionalidade não vá além dos 17 mil), os italianos (seis vezes mais) e os franceses (cinco vezes mais). A Pordata destaca ainda a comunidade indiana (que triplicou) e as comunidades espanhola, chinesa e britânica (que duplicaram).

Dois terços dos estrangeiros em Portugal com estatuto de residente vivem na Área Metropolitana de Lisboa (AML), ao passo que o Algarve alberga 16%. Só o município de Lisboa concentra aproximadamente 17% do total.
De acordo com a Pordata, entre os 10 municípios com maior proporção de estrangeiros, oito deles são algarvios: Vila do Bispo, Albufeira, Lagos, Odemira, Aljezur, Tavira e Loulé contabilizam pelo menos um estrangeiro em cada quatro residentes.
Portugal é o terceiro país com maior peso de remessas em % do PIB
As remessas de emigrantes alcançaram os 3,6 mil milhões de euros, no ano passado. Segundo a Pordata, este valor é equivalente a 1,7% do PIB, conferindo a Portugal o terceiro lugar na lista de países com maior peso das remessas no PIB. Apenas Croácia e Bulgária superam.
França, Suíça e Reino Unidos são os três países de onde chega, actualmente, o maior volume de remessas de emigrantes: representam dois terços do total. Alemanha, Angola, Estados Unidos da América, Espanha e Luxemburgo aparecem logo depois.
Trata-se de uma evolução em relação a 1996, quando França, Suíça e Estados Unidos da América respondiam por 73% das remessas. Na altura também o Canadá tinha uma expressão significativamente superior à verificada agora (2,7% em 1996 versus 0,6% em 2019).

Quanto às remessas de imigrantes, registaram-se 478 milhões de euros, no ano passado, um montante três vezes superior ao verificado em 1996. Ao longo dos últimos 23 anos, estas remessas representaram entre 0,1 e 0,4% do PIB português.
Metade das remessas (50,1%) tem como destino o Brasil. Seguem-se China (8,4%), França (4,5%) e Cabo Verde (4%). Com fatias mais reduzidas, encontram-se ainda Roménia (3,9%), Ucrânia (3,1%), Espanha (2,1%) e Angola (2%).

Algumas curiosidades:
- Entre 2010 e 2019, Portugal perdeu perto de 300 mil pessoas;
- Desde 1961, Portugal teve três períodos distintos com saldos migratórios negativos: de 1961 a 1973; de 1982 a 1992; e, mais recentemente, entre 2011 e 2016;
- Sabia que, em 2019, emigraram 77 mil pessoas? Entre 2011 e 2019, quase 1 milhão de pessoas saiu de Portugal;
- Portugal é um dos nove países da UE-27 em que a % da população estrangeira, no total da população residente, é inferior a 5%;
- O Luxemburgo, por seu turno, é o país em que esta percentagem é mais elevada: a população estrangeira é praticamente metade da população residente;
- Apenas 3% da população empregada em Portugal é estrangeira. No Luxemburgo, são 54%.;
- Face aos portugueses, a população estrangeira residente por cá é mais vulnerável ao desemprego. Em 2019, a taxa de desemprego atingiu quase 12% da população activa estrangeira e 6% da população activa nacional;
- As remessas de emigrantes atingiram, em 2019, os 3,6 mil milhões de euros;
- Em 2019, as remessas dos imigrantes foram três vezes mais do que o montante atingido em 1996;
- Metade das remessas de imigrantes em Portugal vai para o Brasil.














